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April 29, 2024 57 mins

No mais novo episódio de 'Cadê a Hipótese, Ruth?', Paulo Boggio e Gabriel Galdêncio do Rego falam sobre hipocrisia moral, ilustrando com estudos experimentais e exemplos do cotidiano.

A conversa começa com definições sobre hipocrisia moral, estudos clássicos como os de Batson e colaboradores e ilustrada com exemplos da política brasileira, esportes, entre outros. Foram discutimos casos notórios de figura pública e esportistas, bem como o papel significativo da sinalização de virtude e do 'raciocínio motivado' no comportamento humano.

O episódio também explora o impacto da hipocrisia moral nas relações interpessoais e sociais, destacando a importância da congruência entre nossos valores e ações. Além disso, são discutidas as influências emocionais no cenário da hipocrisia moral e como elas afetam nosso julgamento.

O episódio termina com um convite para refletir sobre nosso próprio comportamento à luz da hipocrisia moral e os dilemas morais da vida cotidiana.

Não perca, sintonize conosco. Até lá!

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(00:00):
Music.

(00:11):
5, 4, 3, 2, 1, 0, all engines running, liftoff, we have a liftoff.
Olá pessoal, bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast Cadê a Hipótese Root?

(00:33):
Apresentado por mim, Paulo Bodio, e pelo meu amigo Gabriel Galdêncio do Rego.
Fala meu amigo Gabriel, como você está? Fala, Paulo Borges Tô bem,
tô bem, um dia bonito Tá um dia bonito hoje, né? Tá, esses dias foram bem bonitos, viu?
Sábado, domingo Muito bom, muito bom E você passou bem o fim de semana?

(00:54):
Passei bastante bem, me diverti Comi bem Comeu bem? O que você comeu?
Comi o prato da Dona Maria Macaxeira, cara Dona Maria Macaxeira Muito bom Dona
Maria Macaxeira, muito bom, comida boa, hein? Onde fica?
Vamos fazer a Dona Maria Macaxeira Ela não pagou a gente pra fazer propaganda,
mas o Gabriel falou que a comida é boa.
A comida é boa. De vez em quando ela dá um brindezinho, um brigadeiro.

(01:17):
É bom, ela é boa. Onde fica a Dona Maria Macaxeira? Dona Maria Macaxeira fica na Rua Fortunato.
Olha lá, pessoal, quem quiser comer uma macaxeira e conhecer a Dona Maria,
é só ir na Dona Rua? Rua Fortunato.
Vira para lá. Grande Maria Macaxeira alimentando o Gabriel.
Muito bem, muito bom. A gente também queria fazer, já que a gente está nessa

(01:38):
coisa de agradecer as pessoas, o Gabriel está feliz está com sol,
com uma cacheira na barriga,
a gente queria também agradecer todo mundo que está escutando e hoje a gente
vai mandar alguns agradecimentos pelo mundo para nossa surpresa tem gente escutando
o podcast e está aumentando a gente já está quase em 3 mil downloads,

(01:59):
quase 3 mil escutadas em um mês e pouquinho,
a gente está indo hoje para o nosso oitavo episódio.
E a gente tem ouvintes espalhados no mundo inteiro Então, a maioria, claramente, no Brasil,
mas a gente tem ouvintes nos Estados Unidos, Portugal,
Holanda, Reino Unido, Suécia, Alemanha, Espanha, Suíça, México,

(02:20):
Austrália, Canadá, Paraguai, Malta, até em Malta, França, Finlândia,
Noruega, Taiwan, Argentina, Chile, Colômbia.
De rapaz, a lista é enorme de pessoas ouvindo ou pessoas que estão aprendendo português, né?
Mas provavelmente muitos brasileiros ou pessoas que falem a nossa língua e aqui

(02:42):
um agradecimento a todos os países em nome de algumas pessoas então,
aqui eu queria agradecer,
há uma família que é praticamente, eu considero minha família também que é o
Rafa e a Rosa que moram lá nos Estados Unidos eles que me abrigam quando eu
vou pra lá fazer os estágios na Universidade de Nova York,
quando eu vou de professor visitante, Rafa é um irmão desses que a gente ganha na vida e,

(03:08):
estão lá nos Estados Unidos há um bom tempo enfim, colega, Nova York Nova York, pais de Vicky,
Deco e Léo olha só que cara, o Léo Léo é o meu adversário de NBA no Xbox.
E você joga bem? Cara, eu perco dele sempre. O menino é muito bom, cara. Ah, isso é bom.

(03:30):
Leozinho é muito bom. Então, todo mundo que tá aí nos Estados Unidos escutando,
sempre estão se abraçados aí em nome dos meus amigos, irmãos Rafa e Rosa.
Você quer agradecer também?
Ah, em Nova York tem um amigo, Francisco Barreto. Eu tava até pensando em vir
fazer um pós-doutorado por aqui, hein?
É mesmo? É, ele chegou à proposta, hein? Francisco, é só chegar.

(03:50):
Vem embora, Chico. Volta para o Brasil, que a gente te recebe de braços abertos.
Mas alguém aí? Tem uma aluna, foi aluna nossa.
Foi aluna nossa. Fez a especialização num curso que a gente oferece numa 15, né? De neurociências.
Aline Dantas. Aline Dantas. E foi estudar na Holanda. Foi para a Holanda.

(04:11):
Estudar parte de decisão, neuroeconomia. Está indo super bem lá. Excelente.
Excelente, um orgulho ter conhecido a Aline. E ela sempre manda mensagem de
que está gostando bastante e deu umas sugestões que eu vou falar com você depois para tópicos.
Bora, bora. Quem estiver ouvindo e tiver ideias de tópicos também pode mandar.
Inclusive, quem estiver escutando...

(04:32):
Se cadastra, põe o e-mail. A gente tem um formulário lá no site pra cadastrar
e-mail, porque a gente avisa, sai uma mensagem automática quando tem episódios
novos, mas também a gente vai começar a ter uns conteúdos exclusivos.
Então, se cadastrem. Se cadastrem mais.
Mais abraços aí? Acho que não. Já tô abraçando demais, né? Muita gente é hoje.
Muita gente abraça mais. A próxima gente abraça mais gente.

(04:55):
Muito bom, Gabriel. E aí?
Qual que é o tópico de hoje? Eu acho que hoje promete, hein? Você acha? Por quê?
Porque eu acho que é um tópico que vai fazer a gente pensar muito,
sabe? Nas nossas ações, no jeito que a gente julga os outros.
Eu posso falar, então? Pode falar. Qual que é o tema?
Hipocrisia moral. Rapaz, você é muito hipócrita. Acho que todo mundo é um pouco,

(05:18):
né? Todo mundo é um pouco, né? Você já foi hipócrita alguma vez?
Rapaz, todo mundo já foi alguma vez, né?
Seria um hipócrita moral. Acho que vale a pena a gente até pensar um pouquinho
o que é moral, o que é definição para a gente poder chegar nisso.
Tem muitas definições sobre moralidade, tem muitas teorias sobre moral e tem muitas vertentes.

(05:44):
Tradicionalmente tem aquelas vertentes que olham a moral do ponto de vista do
desenvolvimento, principalmente desenvolvimento infantil,
e quando as ações não conferem com o que a pessoa fala, eles consideram normalmente
que é alguma falha no aprendizado, no desenvolvimento infantil, enfim.
Então esse é um dos modelos clássicos e antigos.

(06:05):
Os outros vão naquela linha de que as situações e os contextos é que fazem com
que às vezes as pessoas ajam de uma forma diferente da moral.
Mas nos últimos anos vem surgindo uma área muito grande dentro da moral que
tenta estudar essas vezes desconexão entre o que a pessoa fala e o que ela faz,
que pode ser resumido naquele ditado clássico né.

(06:30):
Vai, mano, se não me engana, fala olha só, quem tá escutando eu preciso aqui
confessar uma coisa eu sou muito, eu lembro todos os ditados,
mas eu não consigo falar os ditados, eu misturo os ditados tipo,
mais vale um pássaro na mão do que sei lá, eu erro eu erro os ditados,
e tem um ditado clássico que é faça como eu faça como eu falo não fale,

(06:57):
não não, é tudo errado faça como eu digo, não faça como eu faço isso,
faça como eu faça como eu digo, não faça como eu faço é isso mesmo é isso isso
aí virou até uma piada entre as pessoas,
eu erro toda vez os ditados eu tenho algumas pessoas que eu preciso sempre ter
por perto pra corrigir mas é isso, faça como eu caramba.

(07:21):
Faça como eu faça como eu digo não, faça como eu faço Porque isso mostra o quanto
o que eu falo não bate com as minhas ações, né?
Essa é a ideia desse dilema.
E isso está na essência do que é chamado de hipocrisia moral,
que vários autores resolveram estudar para ver se é só uma questão de desenvolvimento,

(07:42):
se é só uma questão situacional, ou se na verdade é algo mais,
algo que um autor muito importante na área da hipocrisia moral,
que é o Daniel Batson, discute muito claramente que é a ideia de que muita gente quer aparecer,
quer se colocar quer se mostrar como alguém moralmente.

(08:04):
Correto positivo mas na medida do possível evitando o custo,
de ser moralmente correto ou seja, ele quer mostrar que é moralmente correto
mas ser moralmente correto vem com custo e às vezes a pessoa tenta evitar isso
de toda forma, né? É o outro ditado, né? Falar é fácil, né?

(08:26):
Agora, fazer, né? Ou uma coisa quase bíblica, a carne é fraca, né?
Então, o sujeito não tem isso. Não sei, tem gente que fala que a carne é fraca.
Tem sujeito que tá falando de alguém que, sei lá, cometeu uma traição e a pessoa
fala, não, mas a carne é fraca, tenta justificar dessa outra forma.

(08:47):
Eu não sou como de ditado. Pessoal, desculpa se eu errar todos os ditados hoje
Do nada Mas foi bonito Não se combinou,
mas foi bacana Cão que ladra, não chora Tudo cercado Mas você falou uma coisa
legal agora Você falou sobre justificativas.
Ou seja, ele querer se colocar moralmente correto, mas não querer assumir necessariamente os custos,

(09:11):
e aí essa ideia que o Batson trouxe ela meio que serviu quase como um panorama
de base pra construção dos experimentos pra tentar explicar a hipocrisia moral
e ele tem um experimento bem interessante,
que é usando moedas isso é bem legal e só pra entender, tu vai explicar o experimento

(09:32):
mas vale a pena falar do experimento, tu vai falar não, não vai falar,
mas assim ele chegou e percebeu que muita gente era hipócrita muita, muita,
fala um pouco do experimento aí pra gente, que esse é bom a galera é hipócrita
a ideia desse experimento são vários experimentos, a gente vai meio que sintetizar,
quase como um compilado da obra de Batson,

(09:57):
uma das.
Primeiras tentativas que ele fez dos experimentos que ele fez pra entender essa história toda,
era pegando um voluntário dizendo que ele tava junto com outro voluntário para
realizar algumas tarefas então imagina,
eu e o Gabriel somos voluntários no estudo e o experimentador diz que a gente
vai ter que realizar duas tarefas e ele aloca para mim a decisão de quem vai

(10:20):
fazer o que e as tarefas são muito diferentes uma é uma tarefa rápida simples, tranquila.
E a outra é uma tarefa muito difícil, muito custosa, muito demorada.
E eu que posso decidir quem vai fazer o quê.
E nesse caso aqui, é o começo para ver o seguinte. O que as pessoas escolhem?
Elas escolhem o fácil para si ou entregam o fácil para o outro?

(10:44):
Elas ficam com o mais difícil ou dão o mais difícil para o outro?
Então, esse é o primeiro passo para depois a gente avançar. E basicamente o
que ele observa é que quase todo mundo prefere ficar com a tarefa fácil e dar difícil para o outro.
Ainda bem. Ainda bem, mas esse já é um comecinho para mostrar o quanto as pessoas,
se tiverem a oportunidade de escolhê-las, muitas vezes vão escolher o que é fácil.

(11:07):
Mas aí, para testar a ideia da hipocrisia moral, ele colocou uma condição adicional.
Ele falava, por exemplo, nesse caso que eu que aloco a tarefa que eu posso escolher
alocar a tarefa mas eu posso pegar uma moeda e jogar a moeda essa moeda,

(11:28):
dependendo se cair cara ou coroa a tarefa fácil fica para mim ou fica para o outro e aí,
surpreendentemente, muita gente escolhe
a moeda no que ela escolhe a moeda a moeda é uma probabilidade ela não sabe
mais se vai cair o difícil pra ela ou pro outro então isso aqui vai sinalizando

(11:51):
pra gente uma coisa muito interessante as pessoas a princípio parecem que querem ser.
Corretas, moralmente corretas então eu tenho a chance de deixar pro acaso é mais justo,
vamos fazer isso aqui e aí elas vão e jogam a moedinha só que só elas estão
vendo o resultado da moedinha e aí o que acontece?

(12:14):
Eles verificam que as pessoas optam mais pela moeda o que é um bom sinal mas
quando a moeda cai ruim pro lado delas elas dizem que caiu ruim pro lado do
outro e passam a tarefa pro outro,
então aqui começa a ser essa ideia da definição da hipocrisia moral eu quero

(12:37):
me colocar como alguém moral,
mas eu não quero assumir todos os custos que isso traz e aí só pra saber tu
sabe o percentual de pessoas que acabam com mais de 90% era bastante gente,
era muita gente era coisa de mais de 70, 80% daqueles que escolheram a moeda,
é coisa de 80, 90% e assim, era esperado fosse próximo de 50, né?

(13:00):
Então a maioria é quase 80, 90%, é muita gente aí uma coisa que ele faz pra
testar, isso é um negócio interessante,
ele põe as pessoas fazendo exatamente a mesma coisa, só que elas estão jogando
a moeda na frente do espelho e aí chama atenção, porque aí isso muda um pouco,
aí cai pra uns 50% muita gente, só pelo fato de estar se olhando.

(13:21):
Volta atrás e fala, não, vamos ser honestos aqui, né? Pelo menos dessa vez,
né? Acho que ela reflete mais, né?
E aí começa a ficar uma discussão teórica interessante, né? Porque quais que
seriam os motivos da pessoa então escolher a moeda?
Se no final das contas a hora que apertar ela joga pro outro,
por que ela já não escolhe diretamente alocar a tarefa? Porque ela podia, ela pode alocar.

(13:44):
Então aqui começa essa ideia.
E aí então a gente pode pensar de duas formas.
Uma é uma motivação legítima
ela realmente quer agir moralmente que
é uma ideia da integridade moral ela quer se integrar
a ação dela com os princípios
e valores que ela tem ou essa ideia não legítima que é a hipocrisia moral eu

(14:08):
vou fingir que sou mas na hora se apertar eu mudo de figura e aí o Batson traz
uma ideia interessante pensando na história do custo é,
será que não existe um ponto onde o custo passa a ser tão alto que aí a integridade moral ela realmente.

(14:28):
Vai para as cocuias, e aí a história da carne é fraca, ficou tão difícil controlar
o impulso que ele não consegue controlar, e aí ele faz um experimento testando essa história,
usando a mesma ideia da
moeda só que nesse caso ele faz o seguinte a opção você pode alocar tarefa fácil

(14:53):
ou difícil sem moeda você pode jogar a moeda ou você pode deixar a moeda para
o experimentador jogar se o experimentador jogar,
o experimentador vai sair em que lado caiu, ou seja esse caso é aquele em que
você não tem controle então se as pessoas falarem agora eu quero ficar com a

(15:13):
moeda a gente ainda está nessa dúvida é legítimo ou não é legítimo se ela falar,
deixo na mão do experimentador,
é legítimo porque ela está assumindo todos os custos que tem essa brincadeira
e maravilha, o que acontece?
80% escolhe o experimentador o que é muito bom se a gente for pensar do ponto de vista social,

(15:34):
das relações das escolhas, as pessoas estão querendo ser corretas pelo menos
nesse tipo de experimento, mas aí ele faz uma outra coisa, ele aumenta muito o custo.
Caso a pessoa perca. Então fica um cenário em que ele agora,
a tarefa vai ficar muito difícil e ele acrescenta um custo. Sabe o que é o custo?

(15:57):
Dá uns choquinhos elétricos de leve.
Coisa boa, viu? Coisa boa. Então ele pôs um custo agora.
Por exemplo, esse, dá um choque. Poderia ser um custo tirar dinheiro dela, coisas do gênero.
E aí, nesse caso, uma das coisas que começam a acontecer é que muita gente passa já para nem ter moeda.
Boa. eu escolho, ou seja, ela não quer nem correr o ruso, então agora ela já

(16:19):
faz isso, e daqueles que vão optar pela moeda, a maioria fica com a moeda para si.
Tá, quer disfarçar de bonzinho ainda.
Exatamente, quer disfarçar de bonzinho, e pedir para o experimentador jogar,
caiu para 20%, 25%. Então a maioria não quer que caia na mão do experimentador, quer ter controle.

(16:41):
E aí vem essa ideia de que, então, existe muitas vezes uma questão legítima
de querer ter uma integridade moral entre o valor e a ação,
mas se aumentar muito o custo o custo ultrapassa isso então tem várias nuances nisso, tem o.

(17:02):
Hipócrita moral, mas isso vem junto com o custo só pra entender,
elas eram perguntadas sobre o que elas prefeririam caso fosse o outro se fosse o outro?
Sim, porque Porque estar com duas pessoas, ela está no comando,
às vezes, jogar moeda para as duas.
Mas eu imagino que se fosse a outra pessoa nesse poder, elas escolheriam de
uma forma mais justa possível.

(17:23):
Ah, sim. Se você fizer isso, sim. E aí começa a ficar interessante,
porque tem até uns estudos que, para sinalizar isso.
Podem colocar que a decisão está no outro, ou, às vezes, colocam até uma coisa
que vem de um filósofo, que é o Rawls,
que é a ideia do véu da ignorância, que é você ter que tomar decisões sendo
informado de que o que você decidir, você não sabe quem você é,

(17:48):
que posição social você tá, as consequências que vão ter pra você,
e aí normalmente as decisões elas tendem a ficar decisões que são melhor distribuídas entre as pessoas,
né, então saber que é o outro, ou nem fazer ideia de quem vai ser e de quem
você é naquela relação faz com que as pessoas tendam a convergir mais em decisões

(18:08):
um pouco mais justas pra todos, né, um pouco melhor distribuídas, né, pra todos.
Então a ideia do nosso amigo do Batson, quase o filho do Batman, né?
É o primo do Batman. E o Batson então ia falar que existe esse comportamento
de hipocrisia, mas no geral seria um pode dizer...
Diz o termo, seria algo não seria aquela malandragem a opção seria por maldade,

(18:32):
pelo menos nesse caso não, é, então exatamente alguns casos não vão ser por
maldade, alguns casos a pessoa buscava alinhar os valores com as ações,
mas o custo das ações ficou tão grande que ela optou então por não agir mais
daquela forma, e aí a gente cai um pouco nessa linha deixa de ser tão,

(18:53):
hipocrisia, enfim, continua sendo hipocrisia, mas você agora tem algum tipo
de racionalização ou de justificativa, a pessoa está evitando um custo pesado para si,
diferente de alguns casos que a gente vai discutir daqui a pouco de hipocrisia
moral em que você tem toda uma.
Uma sinalização muito exagerada sobre quem você é que não bate com as suas ações

(19:18):
que é o que alguns autores começam a chamar de sinalização de virtudes aí você
faz questão de sinalizar uma virtude mesmo agindo de forma.
Hipócrita moralmente hipócrita você é um hipócrita moral quase que hipócrita
moral desonesto no sentido de que você ainda sinaliza que você não é aquilo

(19:39):
então tem vários exemplos nessa linha e é curioso que hipocrisia é um xingamento pesado,
você chamar alguém de hipócrita é hipócrita cara, até moral aqui,
volta praquele episódio da importância de valores morais pra definir uma pessoa,
definir uma identidade se você não tem isso, bicho, esquece tá lascado,

(20:00):
por isso que a gente vai ver o peso quando você sinaliza uma virtude e descobrem que você,
não age da forma como você sinaliza, é pior do que simplesmente,
só não agir conforme as regras, ou seja, você não agir conforme as regras,
dizendo que você segue as regras é muito pior, e aí a gente vai ver alguns exemplos

(20:21):
É melhor não prometer nada,
Na dúvida A gente vai ver, são dois casos, Gabi Ou não promete,
Ou se prometeu e descumpriu Assume É o hipócrita honesto Aí você acha a razão
Exato, que a gente já vai ver É o tal do rouba mais fácil.

(20:42):
Algumas pessoas vão achar que está certo Não, é brincadeira aqui Mas a gente
já vai ver Então só para fazer um mapa até agora é na minha cabeça.
Então, é mais comum do que parece hipocrisia.
É, todo mundo vai ter uma história.
De você mesmo. De tudo, olha só. Vamos pegar exemplos do dia a dia. A pessoa que tá...

(21:03):
Diz que é errado colar numa prova.
Numa dessas, ela já talvez em algum momento tenha colado na prova ou feito alguma
coisa que não foi o mais correto, né?
A pessoa que sinaliza que...
Vendo os esportes, por exemplo, a gente já vai ver exemplos dramáticos disso, né?

(21:25):
Que sinaliza a necessidade do esforço, da dedicação e do uso de...
Consumir coisas naturais, saudáveis e tal, e que está fazendo os de doping, por exemplo.
Então, a gente vai tendo os vários casos. Então, desde as coisas menores,
até coisas muito graves e muito sérias.
Nas relações sociais, a pessoa que sinaliza a importância da transparência nas

(21:51):
relações e está enganando o outro e está fazendo coisas escondidas.
Enfim, então, a gente vai tendo isso. Mas nesse caso, as pessoas falando,
elas estão sinalizando a virtude.
Então ainda tem esse elemento da sinalização.
Vamos contar um caso então, é que você trouxe contar um casinho, né?

(22:11):
Casos de família. Casos de família, cara, nessa hora, pai, mãe,
irmã e esposa, filha, toda a gente tá ficando com medo, né? Fala o Popovic agora.
É até perigoso, né? Falar em casos de família. Eu acho que isso é banido da família.
A gente não vai contar casos de família, não. Mas tem muitos casos.
Olha, na política a gente tem casos muito constantes.

(22:34):
Nas empresas a gente tem muito. Por exemplo, hoje em dia tá muito a necessidade
de mudanças, por exemplo, das regras pra aumentar a sustentabilidade,
questões climáticas e tal.
A quantidade de empresas que você tem lá valores, missão e não sei o que,
que não confere com o que as pessoas falam, com o que a empresa faz.
Tem muitos exemplos nessa linha, né? Imagina a política brasileira recente...

(22:59):
Tem um caso emblemático que é o da Flor Delis, né?
A... É Flor Delis, né, que fala... Tem gente que fala Flor Delis,
eu não sei. A intenção é Flor Delis.
Era o cara do Catório, junto ele virou Flor Delis, né?
Esse é um caso notório de hipocrisia moral, né?
Muito grave, porque ele envolve uma trama familiar pesadíssima, né?

(23:24):
Ela é deputada federal, né, pelo Rio, cantora gospel,
era uma figura pública ela era conhecida por uma imagem de mãe de uma mãe dedicada,
de uma mãe religiosa ela adotou, ela ganhou fama porque ela adotou dezenas de crianças.

(23:45):
Enfim então assim, uma questão de uma história que vai mostrando o caráter de
uma pessoa preocupada com os outros altamente prossocial,
altruísta com valores aparentemente bem desenhadas e no final das contas ela
foi casou com filho e matou o pastor,

(24:09):
o marido dela ele morreu com mais de
30 tiros só pra garantir só
pra garantir e ela no começo contou
que tinha sido um assalto e depois descobriram que era muito mais sinistra a
história do que parecia ela foi a mandante do próprio assassinato parecia que

(24:34):
tinham questões de patrimônio,
questões financeiras esses relacionamentos dentro da casa enfim,
ela foi acusada de homicídio triplamente qualificado enfim.
Assim, tudo errado tudo errado, esse é um exemplo,

(24:54):
assim, no extremo da hipocrisia moral, a pessoa aparece como uma líder mesmo comunitária,
preocupada com o bem-estar dos outros adotando crianças participando ativamente
das questões religiosas da comunidade e tal e se engajando na política com uma
pauta de cuidado e ao mesmo tempo é a mandante de um,

(25:16):
assassinato, 30 tiros do marido em relacionamento com dos filhos adotados só isso.
Tem um caso assim na política também, né o cara que é sempre chateado da família
um homem de família e sempre aparece é o sujeito que se elege com uma pauta
de combate à corrupção e não está envolvido com um rachadinho com desvio de

(25:38):
dinheiro então esse é o clássico mesmo de hipocrisia,
a política ela é cheia disso, nos esportes muito,
né você pega nos esportes um exemplo que sempre que se fala falar de hipocrisia moral,
esse é um clássico que é o Lance Armstrong que é o do ciclismo norte-americano
que ganhou várias vezes consecutivas o Tour de France que é uma prova super

(26:02):
complexa super importante,
ele ganhou e,
sempre com a coisa do quanto ele treinava, e claro, ele treinava muito ele era
desde criança, a história mostra desde criança como alguém muito dedicado aos esportes enfim,
mas a grande ascensão dele começou Começou com o uso de doping e depois negando

(26:23):
o uso. E depois ele foi banido.
Até depois que teve uma investigação que envolveu FBI e tal. E aí...
Colegas da época em que ele treinava Revelaram que de fato Fazia uso de doping.
Então era coisa Que ele fazia Ou outros colegas também faziam Dentro do ciclismo

(26:43):
tem muitos casos de doping Ele é um caso emblemático Mas um colega foi um dos que,
Falou que ele usava Sinalizou que ele usava Num dos processos De investigação
E aí ele foi banido Dos esportes depois ele veio a público e assumiu ele foi
em vários programas de televisão foi no jornal, ele foi,

(27:05):
assumindo que ele fazia realmente uso de doping, então assim de novo,
é o clássico da hipocrisia moral, não é só que ele fazia uso de doping ele sinalizava que.
Não fazia e que o correto é ter um perfil de dedicação ao esporte mas sem o

(27:26):
doping porque hoje em dia tem algumas áreas que as pessoas já falam abertamente que fazem,
o uso de anabolizante teve uma matéria agora recente não sei se você viu no
Fantástico que aquela jornalista Ana Carolina Raimundi que aliás um beijo pra
Ana Carolina figura excelente ela uma vez me entrevistou pra uma matéria um

(27:46):
dia a gente pode falar disso é uma matéria sobre coaching,
cara, eu acho que eu nunca ri tanto na minha vida de verdade porque ela é muito
engraçada e ela conduz a entrevista de um jeito muito bacana e o tema,
né que roubada, né, ter que falar de coaching a gente que trabalha com ciência e cara,
teve uma hora, eu realmente tive uma crise de riso, mas uma crise de riso que

(28:08):
eu não conseguia parar de arrezar e ela fez uma matéria agora,
uma fantástica, recente acho que duas semanas atrás,
sobre o pessoal desse mundo dos...
Fisiculturistas e tal e tem um lá que na matéria ele aparece falando e ela trata
desse tema, é uma matéria muito bonita, bem feita que mostra todos os lados inclusive o lado,

(28:33):
perigoso, que ele faz muito uso de anabolizante, ele fala claramente enfim,
tem na maioria eles fazem uso parece uma nuvem as vezes de enxada vai fazer
bem pro corpo eu também pareço uma nuvem é de sonho de padaria.

(28:54):
Tem várias nuvens eu não sei que nuvem eu gostaria de ser,
e aí ela traz isso e o depoimento por exemplo, nesse caso o sujeito não está
fazendo hipocrisia moral ele está dizendo,
olha, eu cheguei nesse padrão de corpo e eu estou competitivo exatamente por
conta de várias coisas, um treinamento Cara, os treinos são absurdos, né?

(29:18):
Mas também pelo uso de anabolizante, que é um pouco diferente.
E é aí que começa a ser a história daquilo que a gente estava falando agora,
da ideia da sinalização de virtude, né?
E aí tem uns trabalhos muito interessantes. Um deles é do grupo do David Rand.
O David Rand é um parceiro nosso em pesquisa. Ele é um professor lá no MIT.

(29:39):
E um dos trabalhos dele, eles fizeram sobre sinalização de virtudes.
Então a ideia era verificar o seguinte.
Por que será que quando a pessoa fala uma coisa e faz diferente será que isso
faz com que o ato seja pior,
mais mal visto do que simplesmente fazer algo errado e aí ele montou uma série

(30:01):
de estudos muito interessantes em que ele vai testando essa hipótese,
bem dentro dessa linha então um dos estudos é mais ou menos assim,
imagina, Gabi que você vai para um experimento, é o momento em que você é o nosso participante.
Adoro, adoro Adoro esse momento Imagina então que você vai responder E começa
com uma historinha mais ou menos assim Beck e a sua amiga Amanda Estão discutindo

(30:25):
Sobre uma colega em comum Não gostou dos nomes?
Gostei bastante Posso adaptar, é porque isso aqui é estudo original Fala do Beck e da Amanda Ah,
entendi Não, não, Beck e Amanda Amanda, enquanto Então, ó Beck e a sua amiga
Amanda estavam falando sobre uma colega em comum e a Amanda mencionou que essa colega delas,

(30:51):
frequentemente faz download de filmes e de músicas de forma ilegal na internet que horror.
Acho que já deu pra ver que você faz isso. Imagina, nunca na minha vida.
Beleza, já deu pra ver. Não era isso que eu queria ser cinto. Tudo bem, tudo bem.

(31:11):
Aí, depois que você lê esse trechinho, você pode cair em um dos três grupos.
Um deles é a condição de hipocrisia moral.
E que vinha nessa condição? A Beck diz que ela acha que é moralmente errado
fazer download de músicas ilegais pela internet.
Ela acha muito errado só que aí você não sabe,

(31:34):
logo depois, a Amanda não sabe logo depois dessa conversa, a Beck vai pra internet
e baixa uma paulada de músicas ilegais e de filmes ilegais essa é da hipocrisia
então ela diz que é errado que a Amanda,
que a outra amiga dela está errada, mas no que ela chega em casa,
ela sai baixando música se eu tivesse na hora e falasse, deixa de conversa então

(31:56):
ela muda, meu Deus aí a outra condição que você poderia cair como voluntário
é a condição da mentira que é o seguinte.
A Beck diz que ela não baixa músicas ilegalmente da internet,
então ela não está dizendo que é errado, ela não está criticando a outra,
ela está dizendo que ela não faz e depois

(32:19):
da conversa a Beck vai pra internet e baixa as músicas e a outra condição é
uma condição de controle da transgressão que é basicamente o seguinte elas falaram
que a outra amiga tá baixando ilegalmente e depois da conversa a Beck vai pra
casa e dá uma baixadinha nas músicas.

(32:40):
Bom, basicamente a gente tem aqui três condições nas três a Beck abaixou as
músicas a primeira é uma condição em que ela diz que a amiga tá fazendo errado ela diz que não faz
e na terceira elas não falam sobre nada e ela baixa.

(33:01):
Bom, basicamente então, qual que é a história aqui?
A primeira é aquela que ela sinaliza a virtude. É muito errado baixar ela by Wi-Fi.
Bom, no final eles perguntavam pros participantes o que eles achavam da gravidade
da ação. Eu tenho que responder isso agora, então.
Não, é, você estaria aí em uma dessas condições. Ah, tá, tudo bem. Mas, Lóvio, permite.

(33:21):
O que você acha que eles achavam? Olha, eu acho que a primeira de sinalizar
a virtude, na hora que Beck falasse assim, eu achei errado, ele falava deixa
a tua onda, Beck, eu sairia da roda. Então, isso.
Esse é o mais grave, quando a pessoa tenta sinalizar virtude apontando o dedo
pro outro, quando descobrem que ela fez o mesmo tipo de violação, é o pior avaliado.

(33:45):
Depois desse, vem a mentira. Porque a pessoa mentiu dizendo que não baixa e baixa.
E por fim, também é visto como errado, mas por fim é a história de que elas
conversaram e depois ela foi lá e abaixou.
Ou seja, o pior cenário nesse caso aqui que foi a da virtude.
Mas tu sabe que, só pra constar, esse lance da pessoa vai mentir errado,

(34:08):
fala assim, pô, o Beck é sem vergonha, né? Porque fala isso.
Mas eu acho que o da mentira, eu acho que teria uma coisa mais estranha pra mim.
Ele fala, olha aqui, que enrustido, né? O da mentira. Então,
o da mentira, ele não é tão diferente quanto o hipócrita. É que o hipócrita,
ele é mais robusto. Mas o da mentira, ele não é tanto.
A diferença é pouca.

(34:28):
Eu ia achar o mentiroso mais em mais psycho, assim ele mentiu pra gente ele não faz,
enfim mas aí eles ainda não estavam satisfeitos porque o que eles conseguem
responder com isso que o cara que apontou o dedo pra outra, ele foi visto pior.
Mas aí vem uma outra pergunta, mas e se ela dissesse que ela também faz isso?

(34:58):
Então ela, errado, mas ela assume.
Então olha só que coisa interessante que ele faz, que é o roubo a mais faz.
Olha só que interessante aqui. A Beck e a sua amiga Amanda estão falando sobre a outra amiga.
A Amanda diz que essa outra amiga baixa músicas ilegalmente da internet, é igualzinho.
Aí a condição hipócrita é a mesma a Beck diz que é moralmente errado baixar

(35:22):
música da internet só que depois ela vai lá e baixa essa é a condição até igual
a outra que é a condição do hipócrita honesto é o seguinte a Beck diz que ela
pensa que é errado fazer download das músicas,
mas que às vezes ela faz e depois disso ela vai lá e faz então nesse caso aqui,
ela continua mantendo que ela acha errado,

(35:44):
mas ela ela faz, ela assume que ela faz e a última é o controle,
ela não faz nada ela não mente, ela só vai lá e baixa as músicas e aí o que aconteceu?
O hipócrita clássico que é apontar o dedo pro outro continua sendo visto como
pior é o mais grave e a condição em que ela assume passa a ser vista igual a

(36:07):
condição que ela não fala nada ou seja,
o fato dela assumir é errado mas eu também faço,
diminui a gravidade daquilo que ela fez em comparação à condição hipócrita só
pra perguntar, o Randy ele fez tudo só com esse caso de download de música?
Não, ele criou vários cenários.

(36:27):
Tá, beleza, e sempre se mantém e sempre se mantém, ele criou vários cenários,
então por exemplo, tinha um que era coisas assim,
o Pedro e o José são do mesmo time
e eles estão falando sobre um outro jogador do time e o José fala olha.
O outro jogador, nosso amigo, está fazendo uso de doping.

(36:51):
Beleza, é a primeira parte. Aí o Pedro fala, cara, isso é muito errado.
Ele está errado em fazer, é moralmente errado. Quando sai de lá,
o Pedro vai lá e faz uso de doping.
A outra condição é, o Pedro vira e fala, eu não faço uso de doping.
E a outra condição é, ele não faz nada.
O que acontece? Quando o Pedro diz que é muito errado e depois ele faz uso,

(37:13):
ele é o pior visto. O mesmo nessa história do moral.
Pedro vira e fala assim, cara, eu acho muito errado ele fazer uso de dope,
mas eu também estou fazendo. De vez em quando eu faço.
Então é pior a pessoa julgar moralmente e depois fazer.
Mas aí tem uma pergunta que ele faz em relação à política e ao esporte. Tem como ser diferente?
Porque a pessoa vai chegar e falar assim, beleza, gente, roubar é errado,

(37:36):
mas dá uma roubadinha de vez em quando.
O esporte também é tipo assim, gente, tá, foi errado fazer isso,
mas eu vou usar de vez em quando. Tem espaço pra isso na política do esporte, não?
Então, eu acho que você já sinalizar já na largada que você também vai dar uma
roubada de vez em quando, eu não sei se daria certo na política.
Eles têm que mentir. Ou eles têm que agir corretamente. Seria esperar.

(38:04):
Porque assim, a tua pergunta tá partindo que eles vão agir de forma errada de qualquer forma.
Mas por isso que algumas pessoas, Gabi, você está falando é uma coisa interessante,
Que é de onde vem a expressão, né? Aquele que a gente tá brincando desde o começo,
o tal do rouba, mas faz, né?
Que é uma coisa que é da política brasileira, né?

(38:27):
Isso aí veio do passado, veio lá do Adhemar de Barros, enfim,
e depois colou muito com o Maluf, né?
No caso do Maluf, a gente, na época que ele era candidato direto a prefeito,
governador de São Paulo, quem pegou essa época, via muita gente dizendo essa
frase, ele rouba, mas pelo menos ele faz.

(38:47):
Como justificativa pra votar nele, então ok, todo mundo vai roubar,
mas pelo menos a gente já sabe que ele rouba e ele entrega a obra,
né, então esse é o caso em que aqui,
já aconteceu uma série de eventos, já pegaram que o sujeito é corrupto,
mas viram obras importantes e aí juntam as duas coisas e falam,
bom, é melhor assim do que o outro que a gente nem conhece, que vai tá falando

(39:09):
que é honesto e não faz de novo, a gente não tá justificando isso isso, né, que tá certo isso.
Mas isso cola pra muitas pessoas, né, essa ideia de o fulano entrega.
Tá bom, ele tá cometendo delitos, mas ele entrega.
Mas, como estratégia inicial, não sei se é o que vai funcionar. Tá o slogan.
É, não era o slogan dele, era uma coisa que vem depois, né, em comparação ainda com outros.

(39:34):
Principalmente quando a gente pega a classe política que ela tá tão desmoralizada,
né, porque o sujeito que aparecer, alguém que já aparece agora falando um discurso
muito honesto, muita gente já desconfia na largada, né?
É porque a ideia que eu tô tendo aqui desses estudos é que a hipocrisia moral,
ela é algo que é comum porque você tem várias instâncias, situações no convívio,

(39:55):
nas situações morais que as pessoas acabam julgando de uma forma e a gente de
outra todo mundo vai fazer isso alguma vez Até porque algumas coisas que você considera como valor,
num dado momento você não vai fazer de acordo porque.
Alguma coisa mudou no contexto nas relações sociais a história do custo aumentou,

(40:15):
a questão toda é se você faz isso e continua sinalizando virtude sobre aquilo
é aí que vai ser o problema tanto que as histórias mudam, por exemplo a história
do lance Armstrong quando a gente vai ver a reação das pessoas sobre a história,
ela varia porque se a gente coloca assim ele ganhou todos os títulos fazendo uso de,

(40:36):
DOP, né, e sinalizava virtude, blá blá blá, tudo mais que absurdo,
que absurdo Quando a gente passa pra ver Agora, abre a história Da maioria dos
que competem Todos fazem os de doping Muita gente vai começar a falar o seguinte,
mas não tinha como ele fazer diferente e aí aquilo que era uma transgressão
grave, passa a ser algo que o contexto quase que.

(41:01):
Exigia, então você começa a ter essas justificativas e essas flexibilizações
morais e só pra constar e de novo,
não pra quem tá ouvindo a gente não tá falando se isso é certo ou errado é a
percepção que as pessoas têm quando elas tão olhando e julgando por isso que
estudar moral é um tópico tão complexo e por isso que o que a gente faz no dia a dia,

(41:23):
falando sobre os outros e julgando moralmente é muito complicado e às vezes
pode ter consequências na vida das pessoas porque a gente às vezes não tem todas
as informações necessárias e importantes pra saber fazer um bom um julgamento informado,
né mas aí entra também questões da psicologia que a primeira é fácil falar do

(41:44):
outro aí você não consegue calçar o sapato do outro, não é fácil você colocar no lugar do outro, né?
E é muito comum a gente usar de alguns motivos, por exemplo,
tem a ideia de justificativa de raciocínio motivado, né?
Você começar a achar razões pra explicar por quê.
Aí diz que é muito comum você começar lembrando de coisas boas que você fez,
pra falar, não, eu sou uma pessoa boa, eu dei essa cagadinha aqui,

(42:06):
eu ri aqui um pouquinho, mas eu vou lembrar de tudo que eu fiz de bom pra falar,
não, eu sou uma pessoa boa, né?
Ou então você achar um motivo do contexto, por exemplo, ou de falar, não, a pessoa merecia.
A gente sempre vai achar mas todo mundo faz isso.
E uma outra coisa que eu queria falar sobre um amigo Armstrong,
é que não só fazia o doping, mas também tinha outras coisas no meu tempo.

(42:27):
Tinha, então tem uma história, cara, essa história é muito curiosa.
E no caso dele não comprovaram realmente, mas depois já comprovaram em outros casos.
O pessoal que está escutando aqui, se alguém anda de bicicleta e a gente estiver
falando besteira, corrija,
mas tem umas histórias que falam, e depois provaram no caso de uma ciclista
também no Tour de France, Lance,

(42:48):
é que tem um sujeito que ele desenvolveu um motorzinho que vai dentro do quadro
da bike e parece que o Lance Armstrong usava isso,
custou milhões aí ele pôs na bike e quem começou a fazer essa investigação foi
um jornalista que percebeu que ele em alguns momentos ele levava a mão no selim
da bicicleta e em seguida ele do nada ele saiu.

(43:15):
Daquela costa da bula e aí,
cara ganhava tração, né coisa estranha, né,
toda vez que ele dava uma apertada na bunda, ele saia correndo mas parece que
na verdade era um dispositivo que tinha na bicicleta que depois conseguiram
pegar mais alguns anos depois,
numa outra ciclista que aí verificaram que era um,

(43:40):
motorzinho embutido no quadro da bike, no caso dessa ciclista inclusive, ela perdeu a prova,
até calar na bateria ela apertou demais o botão.
Lembrou a história do chadrista famoso do
cara que tava ganhando loucamente no xadrez mas aí ele tem umas partilhas que

(44:03):
ele perdeu muito besta tava desconfiando que o placar dele tava batendo com
o computador e aí tava tentando investigar o que ele fazia pra ganhar tanto em ondas e podes,
Uma das hipóteses é que eles usavam Os mecanismos escondidos no corpo pra poder
Ah, é verdade, tem essa história mesmo Se é um ser chão é que eles usavam Um
plug, né, em alguns Lugares delicados aí Pra,

(44:27):
não sei, você chegou a dar alguma coisa?
Eu não sei, eu fico só imaginando A quantidade de, como que você Sinaliza, tipo, o jogo longo É esse,
bispo do centro e tal pra casa e tal, cara, mas não é Adão, então é ele se mexendo
na cadeira, meio aperreado mas é verdade, será que é verdade isso?
Achei muito bizarro isso é, vou levantar essa história pra isso ou não,

(44:50):
deixa pra lá deixa pra lá mas é engraçado, mas e aí.
Mas essas coisas são engraçadas e eu desço da sinalização de virtude uma coisa
que é interessante, né, desses estudos do David Rand que a gente tava falando
é que aí eles resolveram testar
o quanto essa quase que esse assumir que não é moralmente correto assumir que é melhor,

(45:16):
mas o quanto ele.
Vale pra assumir de uma forma genérica ou ele é específico ao conteúdo,
então basicamente o seguinte naquele caso lá da música ilegal a pessoa não falar
que é ilegal baixar as músicas, mas eu também faço que é a condição que a gente viu que ameniza,
Seria o seguinte, ela falar que é ilegal baixar as músicas, mas que por exemplo,

(45:40):
ela ignora as ligações telefônicas da mãe, ou ela não faz tal coisa do trabalho.
Então assim, ela mostra que ela tem falhas morais em outras coisas, né?
Ela começa a se abafar no caso de coisa errada. De coisa errada,
menos a daquilo. E uma das coisas que eles encontraram é que isso não ameniza.
Então na verdade a história da hipocrisia moral, quando a gente sinaliza uma

(46:02):
coisa que vai contra as nossas ações, só ameniza se você assumir com relação
àquilo que você sinaliza.
Ou seja, basicamente, quando você sinaliza que sinalizou errado.
Tá, naquela situação. Naquela situação. Tem que esperar chegar no tópico,
né? Tem que esperar chegar no tópico, né? Não vai desabafando tudo, Federato.
Vai contando todos os erros, só fala daquilo. Deixa chegar no tópico.

(46:23):
Então é mais ou menos o sujeito que...
Cometer algum erro ou uma violação que vai contra alguma coisa que ele falava
que ele praticava, e aí ele fala, olha eu cometi isso,
eu fiz ele assume com relação àquele conteúdo não adianta assumir de todo o resto legal você,

(46:43):
essa perspectiva de assumir, claro que acho que também depende muito do grau
de violação, né depende do grau de violação mas a ideia da sinalização é porque,
quando você sinaliza que o outro tá errado que é errado fazer aquilo e você
não comunica que você fez ou seja, você tá no papel de apontar o dedo você tá
fazendo várias coisas uma,

(47:05):
jogando o sujeito na lua e outra saindo como o,
dono da verdade o virtuoso e isso é uma das coisas que faz com que as pessoas
se aglutinem em grupos elas tão buscando pessoas com características,
positivas, então no que você faz isso e descobrem que você não era aquilo aí

(47:25):
é onde a coisa fica muito pior, porque aí elas estão vendo que você na verdade
estava sendo hipócrita no limite,
né, você estava sendo muito hipócrita, né tem estudo que mostra a relação da
hipocrisia moral com alguns.
Traços ou características do indivíduo chegou lá eu estava vendo as discussões
por exemplo, sobre como,

(47:48):
foi um estudo que esqueci o nome do rapaz, o Lamar vou olhar depois tu bota lá,
né que é investigando posições
de poder que pessoas que estão em posições de poder quando é legitimado esse
poder elas acabam sendo mais hipócritas moralmente julgando de forma mais dura
mas também cometendo mais demitos e desvios e isso acontece quando o poder é

(48:11):
justificado e legitimado, no caso de não ser legitimado,
o efeito é contrário elas acabam ficando muito mais autocríticas eu até falo do,
não seria hipócrita, seria hiper.
Hipócrita e hipércrita. Eles vão ter uma lista diferente. Não fala não, tem que ver.
E aí interessa isso, porque você tem a ideia de hipocrisia moral associada a

(48:33):
essas questões de status, por exemplo, social.
Tem a ver com a questão da reputação. Não, tem a ver com reputação,
porque basicamente... É questão de imagem, não.
Você, quando está sinalizando alguma coisa, você está sinalizando...
Exatamente, você está querendo valorizar a sua imagem.
E a gente, quando comete hipocrisia, a gente acaba tentando,
claro, sempre dar aquela corrigida na autoimagem também, que é isso,

(48:53):
você é uma pessoa boa e a ver você questiona e preservar sua autoimagem. Exatamente.
Por isso que pega pesado quando você tem cenários onde o que a pessoa sinaliza vai e conta.
Tem um estudo bem interessante que eles testaram e aí são consequências até
jurídicas, né? Que é esse outro lado interessante pra gente pensar.
São estudos bem legais que eles conduziram sobre punição quando existe hipocrisia

(49:18):
moral e violações morais, né?
Então, imagina o seguinte, né? Imagina um estudo mais ou menos assim,
Gabi, que você está lendo, eles te informam que você vai ler um caso real,
jurídico, porque eles estão querendo entender um pouco melhor as nuances do
processo, o que faz as pessoas decidirem isso ou aquilo.
Então você vai ler um caso, mas na verdade é fictício o caso, mas você vai ler o caso.

(49:39):
E o caso, por exemplo, um deles é de um sujeito que ele era.
Uma das pessoas que trabalhava numa organização que promovia a consciência,
dos problemas da violência, ele era um cara que promovia discurso sobre paz,
sobre resolução de conflitos de forma não violenta e tal, tal,

(49:59):
tal, ou, para um outro grupo, ele podia ser um sujeito que trabalhava também
numa ONG sobre consciência dos problemas da corrupção e tal, tal.
Dependendo do grupo que você caia no estudo, você podia estar lendo sobre alguém
de uma ONG mais pacifista ou de uma ONG com relação a combate à corrupção.
Dois tópicos diferentes.
E aí, na sequência, você lê, todo mundo ia ler a mesma coisa,

(50:22):
que é o seguinte, que ele saiu para jantar com a esposa e com o melhor amigo dele,
e de repente, no meio de uma discussão que eles começaram a ter,
ele empurrou a mulher, a mulher caiu, abriu a cabeça,
o amigo tentou ajudar, ele foi dar um soco na cara do amigo quebrou o nariz do amigo,
enfim, então aquele sujeito que estava numa ONG pacifista fez isso,

(50:45):
ou o sujeito que estava numa ONG combate à corrupção fez isso aqui,
e aí as perguntas são várias, uma.
Uma, o sujeito ele é culpado daquela agressão?
Aí a pessoa tinha que julgar de nada culpado até muito culpado,
outra quanto tempo, por exemplo de prisão, de nenhum um ano de prisão,

(51:05):
até cinco anos de prisão ele deveria ter?
Quanto de multa ele deveria pagar pela agressão?
E depois duas perguntas relativas à questão da hipocrisia, né?
Meio que o quão o fulano é hipócrita, né?
E aí eles faziam essas perguntas. E aí, muito interessante, claro,
as pessoas perceberam que a hipocrisia, eles julgaram mais hipócrita o sujeito

(51:29):
da ONG pacifista que batia do que o sujeito da ONG,
combate à corrupção que fez a mesma agressão então eles percebiam que existia
uma hipocrisia moral e aí eles avaliaram.
O quanto perceber a hipocrisia impactava na pena atribuída e impactava na multa.
E o que eles observaram era quanto maior a hipocrisia a percebida,

(51:50):
maior eram os anos de prisão, maior era o quanto eles achavam que a pessoa era
culpada e maior eram as taxas financeiras que o sujeito deveria pagar.
Aí depois eles também fizeram isso com vários outros casos.
Um dos casos era de uma mulher, também um caso jurídico que eles criaram que
era o seguinte ela era uma mulher que ela fazia parte ela era a presidente de

(52:16):
um capítulo em Aiwoa de mulheres contra a dirigir embriagado,
essa era uma da descrição e a outra era ela era a presidente de uma organização nacional de mulheres.
Americanas executivas e tal então dois, um que ela era contra outra dirigia

(52:36):
embragada e uma que era das executivas.
E aí em seguida vem a história dizendo que essa mulher foi pega dirigindo de
uma forma errática, correndo, atravessando a faixa, batendo em tudo quanto é
canto, até que a polícia parou e a prendeu.
Ela estava visivelmente intoxicada e estava com um comportamento super inadequado e tal, tal, tal.

(53:00):
E aí depois vem as perguntas. O quanto ela é culpada por dirigir intoxicada,
o quanto ela deveria pegar de pena por dirigir embriagada, o quanto de multa
ela deveria pagar, e depois o quanto ela era hipócrita.
E aí, igualzinho o outro caso, eles encontraram que, no caso,
quanto maior a hipocrisia percebida, maior a pena e maiores as taxas.

(53:25):
Só que eles também fizeram uma outra pergunta muito interessante.
Eles perguntaram sobre...
Quanta raiva o participante sentia daquela pessoa estar daquele jeito E aí o
que eles verificaram é que raiva entra no meio dessa sequência Então,
quanto maior a hipocrisia percebida Mais raiva as pessoas ficavam E aí,

(53:47):
maior a pena Então agora a gente começa a introduzir na discussão de hipocrisia
moral Uma das explicações que são as emoções que são evocadas Quando a gente
está diante de uma pessoa moralmente hipócrita e aí se entra a questão da emoção
também vai fazer então par com outro processo, que seria,
questões, por exemplo, sociais de proximidade porque eu penso assim,

(54:08):
se fosse a sua mãe, se fosse um cara de seu, você começa a entrar numa outra questão que é de.
Desengajamento moral, né a hipocrisia, esses outros estudos se levam sempre
em questão de um sujeito terceiro de um terceiro, mas aí exato,
dependendo da proximidade os resultados podem ser diferentes que é o tópico de um nosso,
futuro podcast que é exatamente quando as violações morais são de pessoas próximas

(54:33):
ou de pessoas desconhecidas o quanto a gente julga é diferente.
E às vezes a gente julga pior, mas às vezes a gente julga melhor.
Depende do tipo de violação.
Então só pra dar uma geral, acho que estamos chegando no fim já.
Estamos chegando no fim, Gabri.
Então o ideal é assim, evitem ficar julgando os outros, porque isso tem um impacto

(54:53):
muito forte caso você for pego fazendo sapateiros.
É um ditado, que atire quem... Que atire a pedra... Quem já atirou antes.
Não pode atirar pedra que tem telhado de vidro. Não, tem essa, mas não... Tem essa.
Quem nunca fez que atire a primeira pedra. Quem nunca fez, exatamente.

(55:15):
Exatamente. E tem um bocado de hipócrita que atiraria a pedra. Vai atirando as pedras.
Essa é uma questão. É isso. Então, antes de sair julgando moralmente os outros, avalia tudo.
E antes de também sair pondo regra, avalia se a tua regra é condizente com os
teus atos. Então, acho que é isso.
Então, o melhor cenário possível é errar sem falar nada pra ninguém. Não, garoto. Sem nada.

(55:39):
Uma hora a gente conversando e a lição que a gente traz aqui é mintam à vontade
tô chocado ainda com a nossa amiga a Beck,
baixando música a Beck baixando música usando o box que vem em casa não,
é igual o sujeito que faz um discurso,
anticorrupção e blá blá blá e depois ele faz gato de internet.

(56:04):
Puxa fio do vizinho Mas aí motivo ele tu acha sempre, né? Sempre, você vai achar motivo.
Pra justificar. Pra justificar. Beleza, então acho que no futuro falar de desengajamento
moral, tem também interessante que não falamos, mas entraria depois de dissonância cognitiva.
Também. E de raciocínio motivado.
É dissonância cognitiva. O que, por exemplo, o Festinger já trazia era uma sementinha,

(56:28):
o Festinger é um autor bem importante nesses tópicos, é uma sementinha da discussão
de hipocrisia moral, né?
Vamos falar então dele depois, vamos? Vamos falar dele. Legal.
Valeu Gabriel, muito bem chegamos ao final de mais um episódio 8,
a gente logo logo vai pro episódio 9, depois pro 10,
grandes celebrações vem por aí a sequência do 8 vem o 9, vem a 2 é uma sequência

(56:55):
complexa nem todo mundo sabe fazer por isso que a gente tá aqui,
valeu Gabriel, valeu pessoal por aguentar a gente mais uma vez até a próxima.
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