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March 25, 2024 42 mins

Olá a todos e bem-vindos ao terceiro episódio do nosso podcast Cadê a Hipótese Ruth? Neste episódio, apresentado por Paulo Boggio e Gabriel Rego, mergulhamos no tema da amizade, explorando sua importância na vida humana.

Nossa discussão gira em torno do orgulho de Gabriel por sua ampla rede de amizades e os estudos do antropólogo Robin Dunbar sobre as extensões de nossas redes sociais. A análise vai além dos números, analisando comportamentos inerentes à amizade, desde o 'grooming' no mundo dos primatas até a potência do toque humano entre nós.

Aprofundamos a importância do 'toque de Midas' nas nossas interações e discutimos como o toque influencia as percepções afetando nossas relações. Também exploramos o valor crucial de cultivar amizades sólidas e os perigos da solidão.

Neste episódio, analisamos como nossos cérebros processam os aspectos envolvidos na amizade, das dores da traição à confiança inerente a esses laços.

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(00:00):
Music.

(00:11):
Cinco, quatro, três, dois...
Olá pessoal, bem-vindo ao terceiro episódio do nosso podcast Cadê a Hipótese Ruth?
Apresentado por mim, Paulo Bodio, e pelo meu amigo Gabriel Galdêncio.
E quando eu falo meu amigo, é porque hoje o tópico do nosso podcast é amizade.

(00:33):
Diga lá, Gabriel, eu te considero meu amigo, você se considera meu amigo?
Fala, Paulo Bodio. Você me considera seu amigo?
Eu me considero seu amigo e eu lhe considero meu amigo. Entendi.
Não sei se foi a mesma coisa, mas acho que rola essa consideração.
E bom dia, boa tarde, boa noite a todos. Como é que estamos hoje?
Estamos muito bem, Gabriel, muito bem.

(00:56):
Amizade é um negócio interessante, né, Gabriel? E uma das coisas que eu queria
ver com você é o seguinte, quantos amigos você tem?
Depende, eu sou o cara de muitas amizades. e eu construí relações muito.
Frutíferas, termo lindo, né? Bonito. E eu acho que eu devo ter em torno de amigos, amigos mesmo.

(01:18):
Eu não sei, cara. Eu vou falar o número, acho que eu vou excluir alguém.
Eu acho que uns 300 amigos.
Uns 300 amigos? Uns 300 amigos.
Caramba, Gabriel, no meio desse podcast a gente vai descobrir que você é um pouco atípico.
Em geral, 300 e você mantém a amizade próxima Próxima dos trezentos?

(01:38):
Tá, tá, tá. Proximidade constante, eu acho que vinte.
Uns vinte, tá melhorando. Mais dinheiro emprestado nos trezentos eu conseguiria, eu acho.
Dinheiro emprestado de uns trezentos? Até uns cinquenta reais,
eu acho que sim. Apresenta!
Tô precisando dele. Amigo é bom, assim, trezentos amigos com cinquenta reais cada.
Agora, eu acho que a maioria me daria contas pra pagar, no geral.

(02:01):
Contas pra pagar. Mas eu acho que conseguiria. Entendi, entendi.
O Gabriel é uma figura interessante quando você anda aqui pelo bairro por onde a gente costuma,
frequentar todo lugar que a gente passa todo mundo sabe o nome do Gabriel todo
mundo dá tchauzinho pro Gabriel um dia tava ele sentado na rua conversando com

(02:21):
um cachorro até o cachorro sabe o nome do Gabriel esse é um dos 300,
e ele que vai te emprestar 50 reais se eu tentar acho que eu consigo entendi,
Parece que você não tem muita noção da realidade. Eu estou vivendo o mundo da
Disney. O mundo da Disney, tá bom.
Entendi, entendi. Então, Gabriel, vamos começar a falar então sobre amizade.

(02:44):
Então é o seguinte, você falou que você tem aí uns 300 amigos,
depois foi dividindo para uns 20 amigos.
Talvez vai chegar no quê? Nos cinco amigos. Se for, né, começa a aprofundar,
acho que realmente, de verdade, assim. Chega nos cinco amigos.
Quem está escutando, uma coisa que poderia fazer para até imaginar essa discussão

(03:05):
que a gente vai começar até agora, tenta listar, lista os amigos que você pode contar.
E aí o que eu quero dizer com amigos que você pode contar?
Aqueles amigos que você sabe que pode desabafar, contar seus problemas,
contar suas dores, pode contar inclusive do ponto de vista econômico,
se você estiver passando por uma necessidade, ele vai te ajudar.

(03:28):
Dá, tenta imaginar quem que seria esses amigos, faz uma lista e vê que número que vai dar.
Tem um pesquisador, um antropólogo, Robin Dunbar, que estuda muito isso, né?
Qual é a extensão das nossas redes sociais, das nossas redes de amigos,
e ele tem chegado em alguns números muito interessantes.
E aí vamos ver ao longo dessa nossa conversa se esses números batem com os números de vocês.

(03:52):
Gabriel, você chuta um número? Eu não posso falar que eu já sei o número, já.
Você já sabe o número? Já sei, vou deixar a pessoa adivinhar, eu acho. Entendi.
Mas deixa eu fazer uma pergunta para você, Paulo Borges.
Tá. Então, amigo é uma pessoa que a gente pode contar para, sei lá,
conversar sobre a vida, pedir ajuda e receber críticas também faz parte, né?

(04:15):
Também faz parte. Tem muito amigo que adora criticar.
Tem muito amigo. Eles adoram criticar, adoram apontar problema.
Esses amigos, eu não vou dizer que eles são os melhores, não é brincadeira.
Não, esse é um fenômeno legal, né, Gabriel, da gente entender.
Os amigos, eles estão ali para várias coisas, entre elas, criticar também, né, apontar problemas,

(04:36):
apontar, e aí que está a habilidade da gente saber escutar a crítica,
saber absorver a crítica, saber se transformar com a crítica,
mesmo se naquele momento que a gente escuta não é a coisa mais agradável, né.
Mas a ideia da amizade passa por isso também.
Ela passa por você poder contar com a pessoa, escutar a pessoa e também ouvir.
Isso, obviamente, a gente vai poder transferir até para outras relações.

(05:00):
Você pega relações de trabalho, saindo um pouco da história da amizade,
muita gente, às vezes muito gestor, muitas pessoas em posição de comando,
confiam mais naquele que fica só bajulando do que naquele que aponta de verdade
os problemas e as críticas e se a gente for pensar,

(05:22):
aquele comentário, isso aqui é uma dica de amigo,
o sujeito que está te criticando, às vezes ele está agindo mais como amigo do
que aquele funcionário que só está te bajulando e tentando ganhar alguma coisa
com isso, mas voltando para a amizade tem muito disso,
a gente tem, a amizade é uma relação em que você pode contar com o outro,
e por isso que às vezes o número não é tão extenso quanto a gente imagina às

(05:44):
vezes ele é um pouquinho mais.
Limitado eu acho que, talvez se for testando agora os 300 de repente,
eu reconheço que vários caíram vários caíram.
Agora uma pergunta também pra você então, você acha que hoje em dia vivemos
em um mundo com tecnologias de conexão,

(06:06):
de redes sociais mais amplas você acha que esse número do Dumba pode ter mudado de repente?
Essa pergunta é bem legal, Gabi e tem uma coisa interessante que o próprio Dumba
resolveu estudar se as redes sociais estão mudando os números então primeiro
vamos definir os números tá,
vamos lá quando a gente vai olhar no número de Dumbar, uma das coisas interessantes

(06:28):
pra quem tá escutando, imagina uma série de círculos, um dentro do outro.
O centro do círculo é você, e em volta cada círculo que vai aumentando são as
redes de relacionamento num primeiro círculo a gente vai ter ali entre duas a cinco pessoas,
basicamente é a família, normalmente são laços de sangue, então é a família

(06:50):
bem próxima ou algum amigo muito próximo.
Esses são aqueles que você pode contar em qualquer momento e aqueles com os
quais você gasta muito tempo, né?
Você tá muito tempo com eles e disponibiliza também muito tempo pra eles.
Que aí isso é uma outra forma da gente mensurar um pouco a amizade,
né? O quanto tempo a gente gasta com as pessoas.
Depois tem algumas outras coisas sobre isso, mas isso é um ponto importante.

(07:12):
Depois desses cinco, a gente já pode ir pra um círculo um pouquinho maior,
que já começa a ter 15, 20,
25 pessoas, aí depois um número maior de umas 50 pessoas, todas essas ainda
estão dentro da rede de amizade, a gente conhece as pessoas,
sabe pelo nome, né, conhece pelo nome pode contar com elas, tem.
Apoio delas mas vai ficando um pouquinho mais estante quando a gente chega no

(07:35):
número de Dumbar, que é 150,
são pessoas que a gente consegue monitorar ainda do ponto de vista cognitivo,
a gente sabe ainda quem elas são mas não necessariamente a gente está o tempo
inteiro interagindo com elas, mas a gente conhece elas Uma coisa interessante
do número de Dunbar é que esses 150...
Ele observa em vários cenários. Ele observa desde se a gente fizer um levantamento entre nós aqui.

(08:00):
Até, por exemplo, o número de pessoas com as quais as pessoas,
por exemplo, no passado se comunicavam por carta, até o número de pessoas que
a gente mantém, troca realmente de comunicação nas redes sociais atuais.
A gente pode ter 2 mil, 3 mil, 100 mil pessoas na nossa rede social,
mas tem um número por volta de 150, que são aqueles que, de fato,
a gente consegue ter algum tipo de engajamento.

(08:23):
Obviamente, esse número tem variações. Você vai pegar pessoas mais extrovertidas,
como você, que vai chegar às vezes nas 250, nas 300, e pessoas às vezes mais
introvertidas que vão ficar por volta dos 100.
Mas o interessante é que, independente de mídias sociais, o número gira em torno de 150.
E esse número fica mais interessante quando a gente vai olhar os estudos que

(08:45):
vão, por exemplo, investigar as comunidades, coletores, caçadores.
Então, tem um número, por exemplo, de fissão do grupo, quando o grupo quebra,
normalmente é por aí, é quando aí um membro vai e cria o seu próprio grupo.
Em geral, vai mantendo vários grupos por volta disso.
Período medieval também, se você for olhar, você vai vendo os vários grupos

(09:05):
se formando sempre em torno desses números.
Quando começa a ficar muito mais alto, o grupo quebra.
Porque a gente precisa de outras formas para a manutenção de um grupo hoje em
dia a gente tem outras formas como que a gente consegue manter muita gente dentro
do mesmo grupo se comunicando, porque parte da.
Manutenção de um grupo de amizade é você saber, o outro precisa de alguma coisa,

(09:27):
eu posso contar com ele se eu aumento muito o grupo, chega uma hora que eu não
consigo cognitivamente mais nem contabilizar isso, né.
Ah, interessante, hein? E isso de quebrar o grupo, assim, chegava um ponto de
o grupo ficar muito grande, quebrava ou chegava aos 151 e falava, brother, dá licença,
Às vezes acontece Às vezes acontece isso E esse é um tópico que a gente vai,

(09:48):
discutir no futuro, né, Gabriel?
Que a gente já tava comentando que a história, por exemplo, moral que é quando
você tem dentro do grupo alguém que destoe do grupo, chamada ovelha negra, né?
E aí ele é banido. Esse é um tópico com o pessoal que está escutando,
que a gente vai discutir em moral.
Em moral tem uns tópicos muito interessantes, como que a gente julga moralmente as pessoas.

(10:09):
Às vezes a gente julga moralmente passando pano para os erros de alguém que é muito próximo,
mas às vezes a gente pega mais pesado ainda com alguém que é muito próximo,
principalmente aquela pessoa que tem comportamentos que se distoem da forma
como a gente vê ou da forma como o nosso grupo vê.
Às vezes acontece isso, um grupo que tem uma determinada visão de mundo, eles expulsam alguns.

(10:32):
Mas, em geral, as fissões são por conta de um grupo vai crescendo e aí alguns
vão buscar o seu próprio nicho e vão constituir outros grupos e tal.
Uma coisa importante nessa história da amizade é como a gente mantém as pessoas
e como sinaliza a amizade.
Se a gente for olhar para outras espécies, se a gente for pegar nos primatas,

(10:54):
qual que é o clássico de manutenção de relações de sociabilidade?
Qual seria o clássico? o grooming, qual a tradução para o grooming?
Então, a tradução para o grooming tem muita gente que fala que é catação é o
famoso esse termo em português é perigoso é perigoso é o famoso catapiolho.

(11:17):
Catapiolho então quem já viu algum programa esses programas sobre animais comportamento
animal na tv tem muitos assim, as vezes percebe que tem lá os indivíduos de
um determinado grupo Opo!
Coçando, cutucando eles estão lá, limpando o outro, enfim, isso é um,
sinalizador de vínculo, de vínculo social entre eles, e olha só se a gente for

(11:41):
pensar em grupos pequenos faz sentido,
né, você consegue manter como um dos indicadores esse comportamento de catação
como ajuda a formar vínculo.
Pensando só, Paulo, grupos pequenos em lugares onde tem muito piolho onde tem,
exatamente isso é amizade se eu por acaso começar a fazer isso aqui agora com

(12:03):
o voo, será que pega bem ou não?
Então, tira a mão daqui Gabriel então.
Essa é a história se a gente for pegar na nossa espécie, por exemplo uma forma
de demonstrar vínculo é tocando é o toque humano,
e parte do toque humano ele tem um toque que a gente chama de toque afiliativo

(12:24):
porque ele ativa uma fibra, as fibras cetáteis, que elas respondem ao toque,
principalmente um toque mais lento e sutil e isso dá um conforto dá uma percepção
de apego você que está lá com o Romeu uma das coisas é pôr ele no colo e fazer carinho,
esse carinho ele ajuda a estabelecer e formar vínculo a questão é imagina a

(12:48):
gente sair tocando todo mundo,
dá um trabalhinho não, não é só que dá um trabalhinho você vai ser preso, Gabriel É verdade.
Procédio. Podia acontecer também, né?
Mas assim, tá, então o toque funciona pro ser humano também,
similar do primata. Isso.
Mas o tipo de toque influencia. Eu ouvi falar uma coisa chamada efeito Midas.

(13:11):
Efeito Midas, toque de Midas. Existe o toque de Midas também?
Vocês conhecem o toque de Midas? O pessoal conhece? Explica aí, vamos ver.
O Midas é uma figura na mitologia grega que ele, não sei se era rei,
ele era um cara ganancioso e aí ele queria ouro,
ouro, muito ouro e aí eu não lembro o detalhe da história, mas sei que no final

(13:33):
ele é castigado por um deus e tudo que ele toca vira ouro, mas tem a história
da orelha de burro também, no meio, tem isso?
Essa eu não sei, eu não sei se eu tô misturando os mitos aí,
eu acho que você juntou vários,
mitos, peraí, então tem, o do Midas eu conheço, mas é o Midas com uma orelha
de burro, posso tá, eu acho que você tá juntando
isso mesmo, tava na hora de criar um mito A gente faz umas amálgamas aí E aí

(13:56):
a ideia do Toque de Milos é porque tem uns estudos,
que mostram que o toque, por exemplo, de garçonetes, quando vão atender o cliente,
e dão um toque sutil, leve, esse toque acaba rendendo maiores gorjetas para as garçonetes.
Isso seria o toque de Midas. E você vai explicar, então, por esse processo filiativo?

(14:17):
Por esse toque filiativo, tem um estudo clássico na psicologia que foi feito
numa biblioteca nos anos 70.
E aí era exatamente a ideia do toque e do, por exemplo, da pessoa que está devolvendo
o livro, e ela era levemente tocada enquanto tava entrando cuidado onde vão
tocar as pessoas pessoal em casa.
Cuidado onde põe a mão daqui a pouco a gente vai dizer não é qualquer lugar

(14:40):
que você pode pôr a mão pode dar muito errado tem um olhar também,
né, que se paga assim a pessoa passa o livro, é aquele toque na mãozinha,
dependendo do olhinho que você faz dependendo da piscadinha pode mudar, tá, entendeu?
Pode, mas a gente vai chegar já lá aí esse da biblioteca é o seguinte Aí tinha
o toque da bibliotecária, que foi treinada pra isso, e depois eles avaliavam a qualidade do serviço.

(15:04):
E a pessoa avaliava muito melhor em função do toque, independente se ela sabia.
Ela não sabia da condição experimental que ela estava exposta ao experimento.
E aí isso vai mostrando o papel do toque afiliativo.
Então existiria, de certa forma, esse toque que você chamou de toque de midas.
Ele teria um efeito positivo.

(15:24):
O problema é que...
Não é em qualquer área que a gente pode tocar e não é qualquer pessoa que a gente pode tocar.
E aí isso, na nossa espécie, é muito claro.
Dependendo da forma como a gente toca e de onde a gente toca,
não só não vai ser toque de Midas, como vai ter um efeito contrário,

(15:44):
porque aí você está sinalizando outra coisa.
E o toque humano é muito poderoso para sinalizar coisas, sinalizar intenções.
Então, dependendo da forma como a gente toca, a pessoa vai interpretar completamente diferente,
depende de onde toca depende de quem toca,
do momento também, também o estilo do toque e o jeitão do toque e o que você

(16:08):
está na mão também se eu passei a mão no nariz, passei a bunda tocando a pessoa
também cria uma sensação ruim,
só para deixar que tem um contexto só queria deixar isso claro é bom que você
deixe isso bem claro eu fiquei preocupado agora eu estiquei a mão quando você
me ameaçava mas tudo isso tudo isso pesa e essa questão da localização de onde a gente toca,

(16:33):
isso é interessante tem um estudo, é um amigo nosso, colega professor na Finlândia
o Lohi Numenma ele já veio aqui pro laboratório,
inclusive e ele tem uns estudos muito interessantes, e ele desenvolveu uma forma
de fazer um mapeamento das emoções do corpo.
Que é uma espécie de uns bonecos que você pinta, onde você acha que há alegria,
tristeza, uma hora a gente vai conversar sobre isso, mas ele fez uma vez que

(16:56):
as pessoas tinham que marcar no corpo onde elas autorizariam que outras pessoas tocassem.
E aí eles criaram assim, olha, pinta no corpo onde você autorizaria que seu
pai tocasse, sua mãe tocasse, sua namorada tocasse, sua tia tocasse, seu tio tocasse.
E aí é interessante porque a gente vai vendo essa noção da extensão do toque

(17:18):
relacionado ao tipo de vínculo social que a gente tem.
Dependendo da pessoa, o toque em algumas partes do corpo não só não vai ser
afiliativo, como vai ser de recurso, né? Vai ser pra excluir.
Então, toque até um determinado limite, ele tem esse papel de aumentar a proximidade
social e formar vínculos de amizade, né? E ele tem um papel importante.

(17:40):
A gente fez um estudo no laboratório um tempo atrás, que foi o papel do toque.
Nessa ideia de toque nas fibras cetáteis, a gente tocava o antebraço do voluntário
enquanto eles avaliavam imagens.
Então eles tinham que ver imagens positivas, negativas e tinham que avaliar
se ela era muito positiva, pouco positiva, muito negativa, pouco negativa.

(18:04):
E uma das coisas que a gente achou é que, dependendo do como o toque era feito
no antebraço, as imagens negativas deixavam de ser tão negativas,
o que vai mostrando o papel do conforto que o toque traz e da segurança que
ele traz em cenários negativos, né?
E uma outra coisa interessante é o papel só da simples pessoa estar lá.
A gente testou uma condição que não tinha toque, tinha uma pessoa dentro da

(18:28):
sala, e aí o fato só dela estar dentro da sala, as pessoas quando julgavam,
os outros quando julgavam a qualidade das fotos, as fotos positivas eram vistas
como muito mais positivas.
E aí se a gente for pensar nisso, faz muito sentido que alguns veículos de streaming de filmes criaram, né?
Que é aquela opção de você assistir o filme simultaneamente a outra pessoa, né?

(18:52):
Parece que aumenta a experiência, né? Parece que aumenta o prazer daquilo que você tá vendo.
E tem uns estudos de neurociência, né, Gabriel, que já já a gente vai comentar nessa linha.
Tá, então, voltando, pensando em questão da amizade, assisti o filme do Willy Wonka.
Você viu esse filme? O novo? Isso eu não assisti, não. Minha filha assistiu,
o namorado dela também. Gostaram? Gostaram bastante.

(19:13):
Muito bonitinho. E eu não posso falar lá no final, mas tem uma...
Não vou falar, eu não vou falar sacanagem isso. É, a gente pode pôr um alerta
de spoiler. Pode, faz um alerta de spoiler então.
Não sei, é um alerta de spoiler. Tem no manual isso não. Não tem no manual,
eu preciso perguntar pro pessoal que escreve.
Tem um pessoal muito bom, Gabriel, que escreve os manuais de podcast.

(19:35):
Eu tenho recebido alguns. Vi falar de amigos, então as amizades também servem
para... Para manuais de podcast, então... pergunta pra eles não tinha o capítulo alerta de spoiler,
Como eu não sei como faria isso, eu fiz esse sonzinho, e aí quem não quiser
escutar, tapa o ouvido por um minuto.
Tá, então é o seguinte, tem uma parte que ele vai procurar chocolate,

(19:59):
ele faz chocolate, e ele quer, quando vende chocolate, ele quer reencontrar
a mãe, porque ela prometeu que quando ele conseguisse chegar num lugar,
ter a loja de chocolate, ele reencontraria ela.
E aí ele não consegue encontrar ela mas aí ele abre o chocolate que ela deixou
e tem um segredo do chocolate que ela fazia, e ele não sabia qual era e quando
ela abre o chocolate, fala assim o segredo não está no chocolate,

(20:21):
está com quem você come e fala que na verdade o importante é a relação comer
em grupo é isso eu achei muito bonito isso isso é muito bonito e isso é muito
verdade hoje em dia, inclusive a alimentação tem alguns estudos que integram psicologia.
Gastronomia, neuro estudando exatamente isso a diferença entre comer sozinho e comer com alguém.

(20:44):
É o que você falou na Netflix assim, tá com alguém, a experiência do Netflix muda exatamente,
e aí vai trazendo um peso pra algo que o Dunbar estuda muito e várias pessoas
estudam, o John Cacioppo falecido já da psicólogo central na psicologia,
também estudava muito que é o peso da amizade ou o peso da solidão na saúde

(21:06):
e no bem-estar, então por exemplo, você ter amigos, parte é isso,
você compartilhar momentos importantes do ponto de vista afetivo mas também até do ponto de vista.
Físico, atividade física, grupos de atividade física,
alimentação, então você alimentar e o prazer que você tira é isso,
né você vai fazer um

(21:26):
jantar pra comer sozinho todo o cuidado que
você vai ter toda a preparação é completamente diferente se
você estiver fazendo pra alguma pessoa em especial ou pra alguns amigos em especial
por isso tem muita gente que diz que cozinhar é quase que um ato de amor você
está de certa forma se colocando e entregando para o outro e aquele momento

(21:47):
em que todo mundo senta é um momento bonito, é um momento de.
Compartilhamento de experiências, né?
Belas palavras Paulo Borja agora tu falou dessa da solidão tem um estudo que
foi feito em Harvard que é um dos mais mais antigos, que são mais de 100 anos,
e investigando uma série de fatores na saúde e no resultado de morte.

(22:13):
Eles viram que o preditor de morte precoce, muito cedo, seria a solidão.
É verdade isso? É, por aí. Tem muitos estudos. Quem quiser uma dica boa de leitura,
é um livro muito agradável de ler, escrito pelo Robin Dunbar, que é Friendship.
Eu não sei se já tem em português.
É um livro muito interessante, que ele traz esses estudos que o Gabriel citou

(22:33):
agora e tem muitos estudos na epidemiologia que começaram a mostrar que um dos
principais fatores preditivos.
Para várias doenças e incluindo agora para a longevidade é as relações de amizade,
então a ausência de, a solidão solidão não é morar sozinho às vezes a pessoa

(22:54):
mora sozinha, mas ela tem uma rede social super ativa, ela participa de grupos ela tem amigos,
mas ela se sente sozinha mas a solidão em si mesmo sentir sozinha,
sentir que não pertence a um grupo,
é um indicativo e é um sinalizador bem ruim de problemas de saúde física e de
longevidade mais até do que muitas coisas que a princípio a gente não imaginaria

(23:20):
muita gente imagina obesidade,
hipertensão amizade e vence, amizade só não ganha.
De interrupção de tabagismo é mesmo?
É incrível né e é incrível como uma ferramenta barata né verdade Só que aí é legal, né?

(23:42):
Porque não é tão barata, porque a gente precisa investir tempo nos amigos.
E esse é o detalhe, o investimento que a gente faz de tempo, né?
E pensando então, pra quem quer viver mais e ser mais saudável, como é que se faz amigos?
Ou quais fatores seriam importantes na formação desse vínculo de amizade?
A ciência fala algo sobre isso?
Tem várias coisas, né, Gabriel? Acho que algumas coisas dizem respeito ao...

(24:07):
Ao como a gente forma grupos e quem a gente procura pra ser amigos e aí tem
uma ciência muito forte estudando isso, que junta um pouco da antropologia,
junta muito da psicologia também, que é a ideia o conceito de homofilia,
tipicamente a gente procura pessoas que são muito parecidas com a gente a gente
compartilha muito da visão de mundo com elas enfim, então tem muita literatura

(24:32):
mostrando como você tem, e homofilia o que que é?
Você formar grupos com pessoas parecidas e esse semelhante pode ser o mesmo gênero, pode ser,
idade, pode ser uma série de fatores que entram nessa linha mas que podem ser
até coisas assim compartilho interesse sobre.
Golfe, sobre tênis sobre futebol sobre música,

(24:56):
então são pessoas que compartilham de algumas coisas que você compartilha e
você vai formando grupos e aí tem alguns estudos muito bonitos inclusive que
mostram que do ponto de vista neural a gente processa informação de forma muito
parecida com a que a gente, com o que os nossos amigos mais próximos.
Processam, né? Então tem uma questão de similaridade aí.
Isso por um lado é bem bonito, por outro lado é problemático porque vai mostrando

(25:18):
como às vezes a gente pode se afastar daqueles que tem uma visão de mundo diferente da gente.
E aí num mundo tão dividido talvez a gente comece a entender o...
Vai formando as bolhas, né?
Vai formando as bolhas e enfim... E vai às vezes acreditando que que quem está,
entre aspas, do outro lado é muito diferente da gente,

(25:38):
às vezes não é tão diferente da gente, pensa às vezes algumas coisas diferentes
da gente, mas que às vezes consegue chegar num equilíbrio, né?
Interessante isso. Mas e você pensar no fundo, no fundo?
Lembrei de uma vez, eu estava uma vez em um bar, e eu conheci uma pessoa que
ele pensava bem diferente de mim,
em termos políticos, e aí eu comecei a escrutar outras coisas na vida dele,

(26:01):
e a gente encontrou vários pontos em comum,
e juntou umas ideias interessantes a gente começou a se entender melhor e depois
eu vi que ele acabou até pensando em questões políticas um pouco mais parecidas
ele desistiu de ficar naquela abordagem que era contraditória e começou a pensar
um pouco mais parecido isso é possível isso é possível,
na verdade é um dos caminhos que se tem hoje em dia, se você quer,

(26:24):
aumentar a possibilidade de escuta não é criticando o outro é na verdade se
colocando numa posição em que.
Verdadeiramente você escuta o outro você escuta, a pessoa percebe o que você
está escutando, você está parando para entendê-la, e aí você abre um caminho
para a conversa para o diálogo,
para a troca, enfim essa é uma tendência, ontem saiu um artigo exatamente nessa linha,

(26:49):
mostrando como o posicionamento frente ao outro que pensa diferente pode levar
para alguns caminhos, alguns que é reforçar a própria visão de mundo ou outros que é na verdade.
Facilitar a possibilidade do diálogo e
aí quando a gente está pensando em amizade às vezes as amizades elas se rompem

(27:13):
e a gente viu muito isso por conta de política recentemente e às vezes a forma
de solucionar é entrar em contato de novo,
é se colocar numa posição em que escuta o outro então,
ok, o fulano votou em alguém que eu não.
Não gostaria que votasse, passou a defender pautas que talvez eu não gostaria,

(27:35):
mas até aquele momento parece que muitas coisas as pessoas, algumas tinham em
comum, porque que de repente mudou tanto, será que não dá pra tentar recuperar
aquelas coisas que tinham em comum e refletir sobre as novas em conjunto,
né, às vezes parece meio utópico mas tem muito Muito estudo sinalizando que
estratégias como essa parecem que funcionam, né?

(27:58):
Parecem que funcionam. Então esses amigos, esses 150 na roda,
eles podem mudar também.
Eles podem mudar, é dinâmico, isso é dinâmico. Isso muda.
Isso muda até porque quando a gente fala em amizade, uma das coisas que tem
muita força é confiança.
Porque quando a gente está falando de quem são esses 5, esses 10?

(28:20):
Esses estão muito perto são aqueles que a gente, como estava falando no começo
pode contar do ponto de vista por exemplo, afetivo do ponto de vista às vezes
de recursos, de suporte e se eu for traído por esses?
Acontece isso acontece e aí muitas
vezes o efeito é pior do
que uma traição de alguém que não é tão próximo que

(28:42):
aí você não era teu amigo quando é alguém muito
próximo às vezes a reação é até pior você rompe amizades
porque você não esperaria que aquela pessoa fizesse alguma coisa o interessante
é que às vezes às vezes essa questão da traição às vezes a gente demora até
para perceber e aí a gente tem uns estudos aqui né Gabriel sobre isso porque

(29:05):
como a gente está falando em amizade,
está falando em confiança quanto mais próximo você é.
Menos você tá preocupado com como a pessoa pensa, porque é quase como se ela
pensasse da mesma forma e isso é uma visão até aristotélica,
né dessa questão toda, né, quase como se fosse uma extensão de mim,
né então eu não preciso me preocupar muito com isso ela deve pensar parecido

(29:26):
e a gente resolveu testar isso aqui, né tempo atrás,
vários estudos em que a gente testou uma divisão financeira
aquele jogo do ultimato que a gente já comentou num outro episódio,
pra verificar o quanto como as pessoas reagiriam a um jogo do ultimato em que
elas acreditassem que o amigo delas estava sendo injusto.

(29:47):
E uma das coisas que a gente descobriu é que, do ponto de vista eletrofisiológico,
parece que ela nem percebe que o amigo está sendo injusto.
Parece que ela não processa aquilo. Ela acredita que está justo.
Ela diz que está justo. A resposta comportamental é que ela acha que ele está sendo justo.
E quando a gente vai olhar para a eletrofisiologia, parece que realmente nem

(30:09):
foi processado como um sinal de injustiça eu acho interessante que talvez existe
um padrão de percepção de ameaça
que é natural para pessoas estranhas se a pessoa contar muito próximo,
meio que desliga esse alarmezinho básico de estranheza faz sentido isso faz sentido,
e esse alerta boa parte, no caso por exemplo que a gente estava falando desses

(30:31):
estudos esses sinais eletrofisiológicos, eles vêm de fontes como,
aí para quem não é da área é um palavrão singulado anterior, por exemplo.
Meu Deus do céu. É um palavrão, é um singulado anterior.
É uma detecção de conflito, né? Porque se a gente for pensar do ponto de vista
da sobrevivência, eu formo grupos exatamente pra ter a minha rede de suporte

(30:51):
contra os que seriam os meus, entre aspas, inimigos.
E é normal que quando você esteja conhecendo alguém, você fique alerta pra qualquer
tipo de sinal que possa parecer uma ameaça. Exato.
E quando a pessoa tá mais próxima, você meio que se desliga.
Você desliga. E desliga tanto que é quando...
Indo da amizade pro limite que é quando começa um romance você.

(31:12):
Apaga boa parte da percepção de, tem vários sinais em raridade,
todo mundo tá percebendo que não vai dar certo, mas você tá apaixonado,
e aí você não tá percebendo uma série de coisas fica grogue de amor,
e aí depois daquele problema, e chega o seu amigo falando, avisei ou sociedades empresas,

(31:34):
são empresas familiares você tem um membro da família desviando dinheiro,
todo mundo está vendo menos o irmão, a irmã, o primo que é sócio e que confia
muito esse estudo da gente, a gente fez dentro do laboratório enfim,
não foi com empresa familiar mas ele conta um pouco sobre esse tipo de problema
de aumentar muito a confiança por muita amizade,

(31:55):
e não perceber. A questão toda é que quando a gente percebe,
é igual ao casamento, quando a pessoa descobre que o outro traiu,
né? Ou quando você descobre que teu amigo te traiu.
Assim, são aqueles problemas quase que sem resolução, né?
Sim, sim. Porque fica difícil, como que você resgata isso?
E é um impacto grande, né? É. E deu amizade nesse ponto, coisa que abala.

(32:17):
Abala muito e fica difícil de você resgatar.
Gabriel, voltando pra para aquela história que a gente estava falando dos filmes
agora há pouco a coisa da amizade e tal a gente comentou, né,
então tem as plataformas que até usaram desse recurso dos filmes para.
Aumentar o engajamento, a gente viu aqui que tocar as pessoas ou só estar do

(32:39):
lado aumenta a experiência de prazer e aí tem os estudos legais,
né tem um estudo publicado uma vez na, é uma revista é a principal revista de
neurociência social afetiva,
que é editada pelo Matthew Lieberman é um professor da Universidade da Califórnia
é um dos grandes nomes da neurociência social,
um dos primeiros a usar o termo neurociência social e aí esse artigo é do Ulrich

(33:03):
Wagner e ele publicou um artigo muito interessante que o título,
ele tem um subtítulo que é Beautiful Friendship então amizade maravilhosa que
amizade incrível e a ideia desses caras foi o que?
As pessoas iam pra dentro da ressonância magnética funcional então enquanto
eles coletavam medida da atividade cerebral eles viam trechos de filmes e tinham

(33:27):
que julgar o quanto aquele filme era positivo negativo,
o quanto engajado eles estavam,
enfim só que tinha um detalhe, em alguns momentos eles sinalizavam pra pessoa
que estava vendo o filme,
que ela estava assistindo o filme ao mesmo tempo que o amigo que estava do lado
de fora do scanner em outros ela achava que estava vendo sozinha,

(33:47):
e uma das coisas bonitas o que eles acharam é que, igual àquilo que a gente falou.
As pessoas tinham mais prazer e achavam que a valência era maior quando elas
acreditavam que estavam com alguém, com um amigo do lado de fora vendo o filme com elas.
E muito interessante, aquelas estruturas dos tais sistemas de recompensa aumentaram
de atividade. Aqui eu estou falando do ventromedial do pré-frontal e do estriado

(34:11):
ventral, estruturas bem centrais para o processamento de recompensa.
Então aqui é muito bonito porque a gente começa a olhar a relação da amizade
desse vínculo no funcionamento cerebral, né?
Interessante isso, né? Então ter alguém pra compartilhar o momento muda a experiência,
né? Novamente desse momento.
Muda a experiência. Então aquele amigo que fica assim, ei, vem aqui,

(34:34):
vem aqui, olha, olha, olha. A gente entende agora.
Ele quer compartilhar a experiência. Ele quer compartilhar. E ele que faz isso
pensando no seu bem também. Pensando no seu bem. Ele quer compartilhar.
Às vezes é chato. Eu quero que faça isso toda hora.
Às vezes ele não tem limite. às vezes você como amigo pode dar um toque e falar,
porra cara, não me chama toda hora não é toda hora que eu quero estar com você,

(34:54):
mas é pelo bem então mas aí fica interessante se você emendar e falar assim,
não é toda hora que eu quero estar com você afinal eu tenho outros amigos é
importante isso mas aí lascou, porque aí cria o que?
Inveja, né? E a gente vai falar disso. Inveja, inveja.
Amizade é um lugar perigoso. É uma coisa linda. Eu acho maravilhoso.

(35:16):
Inclusive, todo o mote do filme da Disney é sobre amizade, no geral. Acaba chegando lá.
Mas tem um lado também da inveja do seu melhor amigo, do BFF. Best Friends Forever.
Então, isso acontece naturalmente com todo mundo? ou tu acha que tem um fator importante assim?

(35:38):
Isso é típico da nossa a nossa espécie, ela é gregária, né?
Mas eu vejo muito assim, adolescentes tem um pouco essa questão da relação de
desvínculo um pouco mais fluida, um pouco mais dolorosa.
Mais dolorosa até, né? Porque se for pegar na adolescência você ainda tá em
franco desenvolvimento cerebral e aí ficam aqueles momentos na adolescência

(35:58):
em que fica até difícil de entender o adolescente em alguns momentos, né?
Que é aquele ele descompassa entre aspectos mais racionais e mais afetivos,
e em parte a gente sabe timing de maturação de várias estruturas cerebrais não
é linear e às vezes a reação afetiva ainda está distante de uma,

(36:19):
regulação emocional adequada de uma interpretação racional do cenário e por
isso que às vezes essas brigas de melhores amigos,
com quem eu ando, com quem eu não ando quem falou de quem, quem não falou de
quem Todas aquelas novelas que a gente vê acontecendo muito em adolescente boa
parte é justificada por isso.
O que aqui não quer dizer que eu estou criticando os adolescentes ou achando

(36:42):
que adolescente é um extraterrestre.
Na verdade isso faz parte do desenvolvimento, se a gente for pensar inclusive
do ponto de vista evolutivo uma das discussões.
Muito legais é que isso facilita com que o indivíduo naquela idade saia do nicho
ecológico que ele está e vá criar ao seu próprio. Por isso que,

(37:02):
não ter noção, às vezes é bom, né? Ele tá experimentando.
Ele tá testando, ele tá vendo o limite, ele tá descobrindo coisas novas.
Tem um perigo às vezes de sair... Foi um rapaz um dia desse que...
Essas brincadeiras de testar o limite, pertencem a alguns grupos, né?
Às vezes tem esse negócio de um teste pra entrar.
Tem um rapaz que pulou no mar cheio de tubarões. Você viu isso no Caribe? Não, não vi, não.

(37:25):
Era um menino novo, devia ter 16, 17.
Os amigos, ah, estavam bebendo num barco, essa brincadeira de fazer parte,
então tem um adolescente a mesma coisa de se mostrar um pouco, né?
E aí desafiaram ele a pular do barco e deu errado, né?
Tava visível que ia dar errado, mas aí a pessoa perdeu a noção,
perdeu a capacidade de pensar.

(37:46):
Inclusive essas questões de processos em grupo, com amigos, muda a percepção
de coisas, de eventos, de risco também.
A avaliação de risco é completamente diferente, né? Tem aquele estudo que não
falou uma vez que os caras percebem como é que é o risco de pessoas vindo na
rua, o tamanho do cara que ele via se era maior ou menor.
Ah sim, se você tá, se você pergunta pra alguém avaliar qual é o tamanho que

(38:08):
ele imagina que uma pessoa tem, olhando só pro rosto.
Se você tá andando em grupo ou se você tá andando sozinho o tamanho que você
vai atribuir é diferente, né percepção de risco muda se você tá andando em grupo,
você acha que tem menos risco do que se você estiver andando andando sozinho, né.
E no adolescente junta um pouco essa questão mesmo, né, de ele quer se pertencer
muito a um grupo, né, tem uma necessidade de pertencimento muito forte,

(38:31):
com às vezes uma atribuição de risco que não tá ainda muito calibrada, o que não é problema,
mas às vezes dá algumas coisas muito erradas mesmo, às vezes dá problema,
sim, mas faz parte do... Da evolução, né.
Da evolução e do desenvolvimento. Tá.
Gabriel, amizade tem muita coisa pra gente falar, lá, né? Sim.
Mas eu acho que a gente já falou bastante hoje, já abriu muitas frentes.

(38:54):
Tem algumas coisas que a gente vai deixar pra alguns podcasts,
Amizade, Parte 2, Parte 3, que dizem a respeito da similaridade da atividade
neural entre pessoas que são muito próximas.
Esses são tópicos muito recentes nas neurociências e nessas neurociências sociais
que estudam a atividade cerebral de várias pessoas simultaneamente,
algumas vezes até em tempo real.

(39:16):
E isso é um tópico que a gente vai deixar pra um podcast podcast no futuro para
começar a entender um pouco isso, que isso ajuda a gente a entender por que
que pessoas, por exemplo,
veem o mundo de um jeito e não conseguem entender que o outro vê do outro jeito
e por que que elas encontram pessoas que veem do mesmo jeito e se agrupam em partidos, enfim,
então são tópicos bem importantes e que a gente precisa entender se a gente

(39:37):
quiser ajudar a sociedade a evoluir de uma forma um pouco mais...
Mas, como que eu posso dizer? Ah, até rola união, né? É, mas... Unida.
É, mas cooperativa. Pode ser, esse termo é lindo. Gostei da cooperação.
Cooperação, cooperação.
Então tá bom, Gabriel. Pessoal, espero que vocês tenham gostado desse tópico de hoje de amizade.

(39:59):
Vai ter outras vezes que a gente vai falar de amizade, detalhar algumas coisas a mais.
Espero que vocês estejam gostando do canal Cadê a Hipótese Ruth.
A gente está fazendo esse canal com todo carinho com todo capricho tem os personagens,
a turminha da Ruth cada vez aumenta a
turminha da Ruth os personagens só crescem cada vez tem um personagem novo e

(40:22):
se você quiser um personagem com a sua fazendo alguma atividade que você faça
algum personagem personalizado deixa um comentário lá nas nossas páginas o Instagram,
a ideia nossa é que ele vire realmente o nosso nosso centro de encontro,
uma comunidade de pessoas interessadas em falar de psicologia,
neurociências e afins, então se você quiser fica à vontade para nos seguir,

(40:46):
vai ser muito bom encontrar você lá e se não,
continue escutando a gente nos principais plataformas de podcast a gente já
está então nas principais, na Apple Podcast no Spotify.
No Podbean, que é onde a gente tem a nossa página, no Google Podcast e hoje
está entrando no Youtube também também, pra quem gosta de escutar o podcast no YouTube.

(41:10):
É isso aí, pessoal. Até a próxima. Gabriel, muito obrigado por mais esse episódio.
É sempre bom estar junto. Valeu, Paulo Borges. Obrigado pela amizade e é isso
aí. Até a próxima, pessoal.
É isso aí. Valeu. Um abraço.
Paulo Borges, só antes de fechar, eu queria convidar você pra fazer um momento
especial. Podcast? Um momento especial? Especial.

(41:34):
Músicas para o ouvinte. Ah, meu Deus. Bora? Bora tentar. A homenagem agora vai ser 1, 2, 3 e...
Amigo é coisa,
aproximada. Meu Deus, meu Deus. Gabriel, né? A gente já deixou.
Continuar fazendo podcast.
Tchau, gente. Foi mal. Desculpa aí.

(41:54):
Music.
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The Burden

The Burden

The Burden is a documentary series that takes listeners into the hidden places where justice is done (and undone). It dives deep into the lives of heroes and villains. And it focuses a spotlight on those who triumph even when the odds are against them. Season 5 - The Burden: Death & Deceit in Alliance On April Fools Day 1999, 26-year-old Yvonne Layne was found murdered in her Alliance, Ohio home. David Thorne, her ex-boyfriend and father of one of her children, was instantly a suspect. Another young man admitted to the murder, and David breathed a sigh of relief, until the confessed murderer fingered David; “He paid me to do it.” David was sentenced to life without parole. Two decades later, Pulitzer winner and podcast host, Maggie Freleng (Bone Valley Season 3: Graves County, Wrongful Conviction, Suave) launched a “live” investigation into David's conviction alongside Jason Baldwin (himself wrongfully convicted as a member of the West Memphis Three). Maggie had come to believe that the entire investigation of David was botched by the tiny local police department, or worse, covered up the real killer. Was Maggie correct? Was David’s claim of innocence credible? In Death and Deceit in Alliance, Maggie recounts the case that launched her career, and ultimately, “broke” her.” The results will shock the listener and reduce Maggie to tears and self-doubt. This is not your typical wrongful conviction story. In fact, it turns the genre on its head. It asks the question: What if our champions are foolish? Season 4 - The Burden: Get the Money and Run “Trying to murder my father, this was the thing that put me on the path.” That’s Joe Loya and that path was bank robbery. Bank, bank, bank, bank, bank. In season 4 of The Burden: Get the Money and Run, we hear from Joe who was once the most prolific bank robber in Southern California, and beyond. He used disguises, body doubles, proxies. He leaped over counters, grabbed the money and ran. Even as the FBI was closing in. It was a showdown between a daring bank robber, and a patient FBI agent. Joe was no ordinary bank robber. He was bright, articulate, charismatic, and driven by a dark rage that he summoned up at will. In seven episodes, Joe tells all: the what, the how… and the why. Including why he tried to murder his father. Season 3 - The Burden: Avenger Miriam Lewin is one of Argentina’s leading journalists today. At 19 years old, she was kidnapped off the streets of Buenos Aires for her political activism and thrown into a concentration camp. Thousands of her fellow inmates were executed, tossed alive from a cargo plane into the ocean. Miriam, along with a handful of others, will survive the camp. Then as a journalist, she will wage a decades long campaign to bring her tormentors to justice. Avenger is about one woman’s triumphant battle against unbelievable odds to survive torture, claim justice for the crimes done against her and others like her, and change the future of her country. Season 2 - The Burden: Empire on Blood Empire on Blood is set in the Bronx, NY, in the early 90s, when two young drug dealers ruled an intersection known as “The Corner on Blood.” The boss, Calvin Buari, lived large. He and a protege swore they would build an empire on blood. Then the relationship frayed and the protege accused Calvin of a double homicide which he claimed he didn’t do. But did he? Award-winning journalist Steve Fishman spent seven years to answer that question. This is the story of one man’s last chance to overturn his life sentence. He may prevail, but someone’s gotta pay. The Burden: Empire on Blood is the director’s cut of the true crime classic which reached #1 on the charts when it was first released half a dozen years ago. Season 1 - The Burden In the 1990s, Detective Louis N. Scarcella was legendary. In a city overrun by violent crime, he cracked the toughest cases and put away the worst criminals. “The Hulk” was his nickname. Then the story changed. Scarcella ran into a group of convicted murderers who all say they are innocent. They turned themselves into jailhouse-lawyers and in prison founded a lway firm. When they realized Scarcella helped put many of them away, they set their sights on taking him down. And with the help of a NY Times reporter they have a chance. For years, Scarcella insisted he did nothing wrong. But that’s all he’d say. Until we tracked Scarcella to a sauna in a Russian bathhouse, where he started to talk..and talk and talk. “The guilty have gone free,” he whispered. And then agreed to take us into the belly of the beast. Welcome to The Burden.

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