Episode Transcript
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(00:00):
Music.
(00:11):
5, 4, 3, 2, 1, 0, all engines running, liftoff, we have a liftoff.
Olá pessoal, bem-vindos a mais um episódio de Cadê a Hipótese Root?
(00:32):
Esse podcast é apresentado por mim, Paulo Bodio, e pelo meu amigo Gabriel Galdêncio
do Rego. E aí, Gabriel, tudo bem?
Fala, Paulo Borges. O que aconteceu? Você já está rindo? A gente nem começou.
É porque essa ênfase no rego aí, eu acho engraçado.
Eu achei me metido. Não, ninguém está enfatizando o seu rego,
não. Deixa ele guardadinho aí.
(00:54):
Aliás, o seu rego tem tudo a ver com o programa de hoje.
Se isso é bom, será ruim. Vamos lá. A gente vai falar das características que
definem a nossa identidade.
Do jeito que você enfatiza o rego, parece que ele é importante para você.
Acho que ele marca bem, né, meu nome, minha vida,
o meu regra marcada a minha história, cara eu não sei, talvez seja melhor a
(01:17):
gente recomeçar a gravação, não, vamos deixar assim pras pessoas verem realmente
o nível de esculhambação que é esse podcast,
muito bem Gabriel, bom, primeiro eu queria agradecer a todo mundo que tá escutando,
cada vez mais gente chegando,
ouvindo os nossos episódios a alegria é muito grande ver gente gente interessada
(01:38):
nesses tópicos de psicologia, neurociências e tratados de uma forma séria, com rigor,
mas ao mesmo tempo com bom humor e com esse ambiente bem descontraído.
Lembrar todo mundo, né, o nosso podcast você consegue escutar nas mais diversas
plataformas de podcast disponíveis, então coloca naquela tua de preferência que você,
(01:59):
vai conseguir ouvir nosso podcast tudo direitinho, a gente também tá com o Instagram,
o Instagram tá crescendo o Facebook também começou agora a crescer e tem o Twitter
que tá lá meio, não é nem Twitter, o X, tá meio terra de ninguém,
e na verdade é porque acho que o.
Nosso amigo Elon Musk realmente resolveu afundar aquilo lá de vez e acho que
ninguém quer mais afundar talvez a gente até tire de lá, né eu acho que tem
(02:22):
outras opções hoje em dia de repente,
tá meio estranho logo o clima não tá favorável o clima não tá favorável uma
outra coisa também, pra quem quiser receber notificações quando a gente lança
os episódios, a gente criou um formuláriozinho,
tem lá no Instagram clicando, é só colocar o nome e o e-mail é super sigiloso,
vai cair num mailing que a gente criou e automaticamente vocês recebem as informações
(02:46):
sempre que a gente postar um podcast novo e no futuro a gente promete algumas surpresas,
alguns conteúdos exclusivos pras pessoas que começarem a se inscrever pessoas
que a gente pode chamar de de ouvintes fiéis,
os nossos assinantes e coisa do gênero.
Uma outra coisa também, algumas pessoas participaram das enquetes que a gente
(03:06):
lançou no Instagram, e essa semana a gente sinalizou que no episódio de hoje
a gente vai discutir ciência e também um pouco de cinema, né?
Não que eu e o Gabriel a gente entenda muito cinema, mas a gente vai discutir... Talvez de ciência.
Talvez de ciência. E a gente colocou lá as opções Poderoso Chefão, Pobres Criaturas...
Poltergeist e pokémon primeiro que era um teste
(03:28):
do P era tudo com P e as escolhas
ficaram muito equilibradas entre poderoso chefão e
pobres criaturas mas teve gente que pediu pokémon é verdade então pra quem pediu
pokémon a gente vai preparar um episódio especial sobre pokémon poderoso chefão
também está na nossa lista até porque poderoso chefão é um filme que é uma lição
(03:50):
de comportamento moral,
julgamento uma coisa que a gente vai discutir muito em alguns episódios hipocrisia moral.
É bem interessante então é um dos que tá quem escolheu o poder do chefão também
já quase que conseguiu prever aí um futuro episódio no episódio de hoje,
né Gabriel a gente vai falar sobre navio sobre príncipe e sapateiros príncipes
(04:14):
e sapateiros sobre almas e sobre trocas de cérebro e aí que a gente vai chegar
no nosso filme Pobres Criaturas tudo isso que a gente vai,
discutir é pra gente chegar tentar pelo menos chegar numa resposta pra uma pergunta
clara que é o que é a minha identidade, o que me define como Paulo,
(04:37):
o que define o Gabriel como Gabriel,
aliás um parênteses sobre a minha identidade, semana passada você perguntou
como que as pessoas me chamavam, né ah,
Paulão, Paulinho, não sei o que e eu esqueci, da época da escola eu fui lembrado
pela minha amiga Betânia uma ouvinte aí,
Piel do nosso podcast que eu esqueci de falar que eu sou chamado de Bojinho,
(04:59):
Bojinho, cara Bojinho, é verdade, você vê só exatamente.
Bojinho é meu apelido de colégio pode chamar de Bobó,
Bobó não, Bobó é Bobó de camarão é meio estranho, é verdade o mínimo, né,
Bojinho já tá estranho pra idade que eu tô mas Bobó é forçado muito bem,
(05:20):
Gabriel então vamos lá, vamos começar Gabriel, você já ouviu a história do navio de Teseu?
Navio de Teseu? Navio de Teseu?
Olha, Teseu tem cara de nome aí de herói grego.
De lenda, de uma coisa mítica? Não é, é uma mitologia grega.
Muito bem, é isso mesmo. É o fundador, o fundador grego de Atenas.
(05:41):
Apenas. Apenas, só isso. É o grande Teseu.
E a história do navio de Teseu, eu escolhi aqui pra gente começar a discutir
essa ideia de identidade, porque ela traz uma reflexão importante sobre o que
define o que é um objeto A em comparação com outro objeto.
A ideia é mais ou menos a seguinte do navio de Tesseu, eu não vou entrar nos
(06:03):
detalhes da história igual Plutarco descreveu e tudo mais, mas imagina você
num navio e à medida que você vai.
Navegando, você vai substituindo partes, sei lá, você vai trocar um remo troca um pedaço daqui,
troca a vela de maneira que chega um momento que você trocou muitas peças quando
(06:25):
você retornar pro porto de onde você saiu com esse navio completamente com todas
as peças trocadas o navio continua sendo o mesmo?
Olha que questão interessante eu achei interessante depende,
o Teseu tá no navio ainda?
O Teseu tá no navio Ele não trocou nenhuma peça Que o navio afundou O navio continua,
(06:48):
Seu equipe também está em cima Eu acho que mantém Uma qualidade inerente a esse
navio Que é quem está no navio Mas eu queria saber do navio O navio é o mesmo? O navio faz uma parte.
Ele teoricamente Foi trocando a peça por vez? Acho que é o mesmo ainda A peça
(07:08):
vai se integrando aos poucos Recebe um pouco da peça antiga energia.
Se ele trocasse todas as peças de uma vez? Aí o navio seria novo.
Aí o navio seria um outro navio. Eu acho.
Essa é uma discussão filosófica super clássica pra discutir exatamente o que
garante que um objeto A se mantenha como objeto A depois de ter passado por uma série de trocas, né?
(07:28):
Porque teoricamente isso acontece com o nosso corpo também, né?
Sim, a gente vai mudando. Tem gente que põe seios, tem gente que põe...
É, mas assim, se troca e dá. não, mas assim você vai trocando a célula você
vai trocando a célula por vez então assim, está o tempo todo,
células novas vindo etc, então teoricamente,
(07:49):
disseram que a cada sete anos todas as células do seu corpo terão sido trocadas completamente,
então eu sou mais devagarzinho eu acho entendi, mas então a ideia é que a gente
estaria sempre trocando mas a gente continua sendo a gente sim,
que mantenha uma construção aí,
manter uma essência de alguma forma, alguma qualidade No caso do navio,
(08:10):
Porque isso que você trouxe é exatamente a ideia, é a discussão da essência,
o essencialismo. Uma discussão filosófica bem importante.
Nessa discussão, então, do navio, o navio... Seria o mesmo, eu acho.
Mas é assim... Eu vou te fazer uma pergunta agora um pouco mais complexa,
que é a discussão do navio de Tesseu numa versão mais complexa,
(08:31):
que faz parte da história.
Tu tá pegando pesado hoje, hein? Rapaz! Vamos lá.
Baixou o grego aqui. Deixa eu te falar um negócio. só o navio de Teseu então,
tá lá o Teseu trocando as peças, e como que o Teseu faz?
Ele vai jogando a peça do navio pra fora, pra trás, e vai repondo com nova,
então o navio dele tá trocando as peças, aí a pergunta é o navio do Teseu quando
(08:54):
chegar no porto é o mesmo?
A gente começou já isso, mas vamos pensar agora o seguinte atrás do navio do
Teseu tá vindo o carniceiro, num outro com uma embarcaçãozinha e o que que o
carniceiro vai fazendo?
Ele vai recolhendo as peças do navio de Teseu de maneira que ao final ele montou o outro navio.
A pergunta agora é o navio de Teseu continua o mesmo e o do Carniceiro, não é o de Teseu?
(09:18):
Agora é uma questão interessante, é o de Teseu. E o de Teseu então não é mais o de Teseu?
Tecnicamente agora, pela referência, se tornou um pouco diferente a proposta
aí. Agora ficou diferente, ficou mais complexo. O que é o quê?
E essa é uma discussão bem interessante do que, imagina, a gente está falando sobre um objeto, né?
Olha a dificuldade que a gente já vai tendo de conseguir definir o que garante
(09:38):
que um objeto continue sendo ele mesmo Interessante, isso ainda reflete a questão do golpe ainda, né?
E aí que a gente vai começar a chegar nessa discussão de quem somos nós, né?
E aí uma das primeiras pessoas que traz essa discussão é o Locke,
E aí o Locke traz da seguinte maneira, que é a discussão do príncipe e do sapateiro.
(10:00):
Imagina que aconteceu uma troca, o cérebro do príncipe foi para o sapateiro,
e aí o sapateiro quando acorda, ele é quem? Ele é o sapateiro ou ele é o príncipe?
Entendi, entendi. E qual a discussão que o Locke faz aí? O que você acha?
Então vamos pensar uma coisa.
Vamos começar a pensar aqui. Gabriel se você acordasse no ai eu to até com medo de fazer essa pergunta.
(10:30):
Se você acordasse no meu corpo você seria Gabriel ou Paulo Bodio eu acho que eu seria Gabriel,
inicialmente nos meus segundos, até talvez ter um processo de adaptação,
eu veria o corpo e existiria um processo de diferenciação e abater essa experiência
com o corpo que não é meu, mas eu Eu, primeiro, falei, cara,
(10:50):
Gabriel no corpo de Paulo Borja.
Daria uma estranhadinha assim. Uma estranheza. Depois de umas duas semanas,
a gente estava acostumado já, né? Entendi. Então, para você, você continuaria?
Eu acho que, assim, existe a questão de Gabriel se manteria,
porque as ideias, os pensamentos, as percepções seriam as mesmas.
Mas eu ainda acho que a experiência do corpo influencia na nossa,
(11:12):
tanto a consciência, como também na experiência de quem eu sou,
né? Sim. Então, acho que as duas coisas seriam importantes.
Tá. Mas a mente, pra mim, seria muito mais importante. Pelo menos nesse momento da troca.
O que que, pra você, definiria que você continua sendo Gabriel?
Porque é essa a questão que o Locke traz. Para mim, seria esse conjunto de questões
mentais que envolvem pensamentos, ideias, memórias, vontades, forma de falar,
(11:38):
essas questões. Esse conjunto mental.
Entendi. O Locke, ele trouxe esse exemplo para discutir uma definição de que
o que constituiria a nossa.
Identidade e que seria até a persistência da identidade porque na verdade o
que ele está fazendo é rebatendo naquelas discussões de alma e corpo enfim,
(12:00):
ele está querendo mostrar onde estaria e a ideia dele é que o meio,
é o meio que vai influenciar também o que garante que ele continue se vendo
como príncipe é porque o que foi transplantado é a consciência e as memórias
então o que ele coloca são as memórias,
ou seja, esse seria um dos pontos, e aí isso dominou a filosofia e boa parte
(12:25):
da psicologia por muito tempo, o que definiria a nossa identidade,
é o que a gente em psicologia,
pra quem não é da área, a gente muitas vezes chama de memória autobiográfica
a nossa história o que me define como Paulo o que define o Gabriel como Gabriel.
E coisas do gênero mas aí você já começou a trazer umas outras coisas que o
(12:46):
Locke não deu conta e que a gente tem que discutir quando a gente faz essa mudança,
você entra num outro corpo e esse corpo também tem uma certa representação tem também,
faz parte de um meio também, com certas ideias, rituais amigos,
etc, que podem influenciar também mas esses filmes que falam sobre esse livro
(13:08):
e tal, eu acho que eles trazem essa ideia de, o Locke deve estar chegando no
ponto que a mudança de mente entre os corpos levou aos dois mudarem alguma coisa,
basicamente a ideia ele não vai muito nessa linha a linha dele vai muito na
ideia de que a identidade ela vai junto por conta do que ele chama de consciência
em que alguns momentos lendo o texto dele você capta ele está se referindo à
(13:30):
memória é a memória e manteria o padrão ainda da identidade ele carregaria a identidade,
aí vão ter algumas coisas que a gente vai até falar daqui a pouco que é,
mas quem tá olhando pro sapateiro tá vendo o príncipe ou tá vendo o sapateiro
que agora é outro lado, né a gente tá em sociedade,
né ele até pode tá se vendo como príncipe num corpo de sapateiro mas quem tá
(13:51):
olhando, será que tá vendo um sapateiro com um cérebro de príncipe isso a gente já vai já vai chegar,
aí uma pergunta aqui, Gabi, pra você,
eu estou cheio de perguntas para você uma perguntinha para você então, o que você preferiria?
(14:11):
Então vamos lá o que você preferiria? ter um cérebro em outro corpo ou ter o
seu corpo com outro cérebro?
Ah, peraí, ter o cérebro em outro corpo ou ter o meu corpo com outro cérebro?
Dá pra mudar os dois não, né? Não, eu gosto dos dois, eu tô satisfeito com o
(14:31):
meu cérebro e o meu corpo.
Aqui pensaria resolvido, né? Eu pensaria meu cérebro e outro corpo,
porque eu acredito que seria a maior constância de mim mesmo,
seria meu cérebro, minha mente, né?
O cérebro e, claro, meus processos mentais derivados. Eu acho que meu corpo
sem meu cérebro não seria eu ainda.
O seu corpo sem um outro cérebro o seu corpo sem cérebro não seria você eu imagino
que não agora sim agora nesse momento agora trocou tuf.
(14:54):
Exatamente então alguém viria com outras ideias outras memórias outras vontades
e carinho no meu corpo eu acho que eu preferiria manter
a mente ainda pela constância beleza então eu
vou pra segunda pergunta pra você meu amigo vamos embora você
é cheio de perguntas aqui pra você eu aceito se você
passasse por um procedimento em que colocasse então
o seu cérebro que foi a tua escolha foi a minha escolha Então se
(15:17):
você passasse por um procedimento E colocasse seu cérebro em
outro corpo O que você acha que deixaria Você
muito diferente de quem você é Caso Alguma característica sua Fosse perdida
no caminho Então a minha pergunta é a seguinte De outra forma Imagina então
que eu consegui pegar o seu cérebro Mas no meio do caminho Você tropeçou E bateu um cantinho dele.
(15:42):
Opa, opa Perdi isso aqui imagina que eu tenho o seu cérebro tá tudo indo muito bem,
lindo, maravilhoso o show costurou quando eu vi esqueci uma parte de fora uma
partezinha e aí a pergunta é o que você acha que mudaria quem você é se você
tivesse perdido tá eu vou dar opções melhor,
(16:07):
melhor, pra não falar besteira não, você pode falar o que você quiser,
opções imagina que na hora da mudança eu comprometi algum aspecto desse transplante
que impactou teus órgãos do sentido então você perdeu a visão,
perdeu a opção perdeu a gustação você perdeu algum sentido.
(16:32):
Imagina que você não perdeu nenhum órgão do sentido você não perdeu órgãos do
sentido você perdeu a sua memória autobiográfica você já não lembra quem em você.
E a outra opção é, você perdeu a sua consciência moral.
Você perdeu a sua noção de certo e errado. O seu julgamento moral mudou.
(16:55):
Então, se você antes achava que era muito errado alguém matar alguém,
você agora não vê problemas mais nisso.
Então, é o forte.
Então, o que você não gostaria de perder de nenhum, ou em outras palavras o
(17:17):
que, caso você perdesse, mudaria a sua identidade?
Eu acho que mais mudaria a minha identidade eu penso também que a questão da consciência moral,
porque por certo mudaria meu comportamento porque eu acho que se eu perder minha
memória autobiográfica eu teria todo um padrão de comportamento de,
(17:39):
sei lá, de vontades, que eu acho que seria mais eu,
se eu morar, se eu mudo meu padrão de ser aterrado certamente eu mudo meu comportamento
com os outros e aí eu mudo completamente eu e as relações que eu tenho também
isso seria, eu acho que seria o mais impactante acertei?
Não, tem que ser aterrado isso aqui não é uma prova e aí isso traz uma reflexão
(18:03):
bem curiosa porque veja, se você então, preferisse ficar com a memória de.
Tivesse perdido a consciência moral, olha só coisa curiosa, você saberia que
você é o Gabriel e talvez fizesse coisas ou julgasse ações de forma muito diferente,
(18:24):
e aí você continua responsável olha só a complexidade da história toda,
e o contrário você mantém a consciência moral igual era antes,
mas já não sabe quem é você,
continua responsável sobre as ações que você toma, os julgamentos que você faz
eu acho que mais do que outro caso mais do que outro caso sim,
(18:44):
eu acho que no caso eu tenho memórias mas eu não tenho mais a consciência moral.
Essa questão de saber o que é certo e errado me torna menos responsável e fala
assim, a incapacidade de refletir sobre eu não consigo pensar mais com certeza
eu perco mais a iniciação é um paralelo que a gente pode fazer mais ou menos igual um caso,
pra quem não é da neuropsicologia por exemplo, talvez não conheça tem um caso
(19:06):
emblemático na neuropsicologia que é o caso Phineas Gage é um sujeito que trabalhando
numa linha de trem ele sofreu um acidente,
uma barra que era pra prender o trilho e ela perfurou a cabeça dele,
ele entrou mais ou menos na altura do olho e saiu pela parte mais da frente
da cabeça que é o que a gente chama de lobo frontal,
e um médico na época, o Harlow conseguiu salvar o Phineas Gage o Phineas Gage
(19:29):
viveu sabe que isso é pra constar, nesse acidente ele passou essa barra na cabeça,
caiu no chão e ele não desmaiou não ele ficou acordado o tempo todo É incrível, né? Incrível.
Chocante. Não, é chocante. Não, a barra, o Gabriel tá falando isso e é chocante,
porque a barra, ela é mais ou menos de um metro de altura.
É uma barrinha, não é? Não, não, era um negócio... Era um negócio enorme.
(19:51):
E aí o Harlow salvou. E o Phineas Gage, então, do polo de vista daquela discussão,
é o corpo dele ou não? Continua o mesmo corpo?
Então a identidade física continua a mesma?
Mas ele mudou o comportamento dele mas ele mudou o comportamento dele ele a
(20:12):
parte sensorial talvez possa ter alguma coisa mas é isso,
mas continuava no geral como era continuava falando,
continuava escutando mas ele perdeu boa parte da noção de certo e errado e aí
ele ficou completamente E aí veio o casamento dele, o trabalho.
(20:34):
Exato, e aí vem para uma pergunta bem importante.
Quando a gente está pensando no que motiva achar que consciência moral impacta
mais ou menos, talvez não seja só porque isso traz efeitos individuais,
mas porque isso também traz efeitos coletivos.
Perfeitamente, porque essa questão, acho que você falou a história ainda do Locke,
(20:55):
Quando eu pensei, tá, o cara troca de método. Talvez no primeiro instante,
assim, no momento você tenha, ah, ei, meu Deus, estou em outro corpo.
Mas se esse cara passa duas semanas vivendo em outro meio com outras pessoas
e criando relações com essas pessoas, que talvez já existiam antes,
ela vai mudar com isso, tá? Exato. Ela vai fazer parte de outro sistema.
Naturalmente, eu acho que ela se adapta um dia. Fala, beleza,
estou aqui já, então vamos embora.
(21:16):
Vamos que vamos, né? Vamos que vamos. Gabriel, então, beleza.
Então, nesse primeiro caso nosso aqui, se trocasse de cérebro,
era melhor não perder a consciência moral pra você, é isso?
Pra mim sim quem fez um estudo nessa linha foi uma filósofa Nina Strominger,
ela fez vários estudos assim, e aí ela os experimentos eram muito curiosos,
(21:38):
então era, imagina que trocou você fez uma mudança de.
Um transplante de sebro, ou usou uma droga que perdeu uma função,
ou fez um golpe pra alma, enfim e normalmente as pessoas reportavam,
a memória autobiográfica era uma coisa importante mas em primeiro
lugar era essa ideia de consciência de
(21:59):
consciência moral essa ideia do quanto a moralidade
a gente não pode perder ela deu
uma continuidade nos estudos testando uma
coisa o que é crenças sobre
questões morais que são compartilhadas ou aquelas
que são controversas então por exemplo imagine que
(22:19):
nessa mudança você vai perder
você pode perder a sua consciência moral ou a
sua memória autobiográfica e aí você tem que decidir o que você prefere não
perder você disse consciência moral aí ela fez uma segunda versão que além da
memória autobiográfica era consciência moral que podia ser questões morais compartilhadas
(22:40):
ou controversas, o que é isso?
Compartilhadas seria por exemplo assassinato é muito errado,
é muito grave moralmente errado e a outra
seria por exemplo exemplo um top como aborto que é uma visão que não há consenso
né alguns vão ver como muito errado outros não vão ver como totalmente errado
(23:02):
e alguns não vão ver como errado de forma nenhuma ou seja ela tem uma certa
controvérsia e aí a pergunta é nessa linha.
O que você não gostaria de perder e aí a questão moral ficou na frente mas só
quando ela era uma moral compartilhada ou seja, perder algo que tudo bem é uma característica mais.
(23:24):
Específica não era visto como tão problemático e aí o que esses estudos começam
a mostrar é que uma visão agora leiga nossa,
do que a gente acha que define a gente é um pouco diferente da do Locke é uma
visão que pesa mais a consciência moral o quanto a gente a nossa noção de certo
(23:46):
e errado o quanto a gente valoriza o certo e errado,
interessante isso e aí eu acho que essa questão moral é importante porque reflete
um pouco desses padrões de comportamento que temos sociais e que marcam o que
a gente é que o pessoal fala assim o Gabriel é o cara que dá bom dia pra todo mundo,
o Paulo Borges é o cara que ajuda todo mundo os alunos,
(24:07):
então você tem um padrão de comportamento que lhe marca e que você se identifique com isso,
quem é você você tem essa referência desses comportamentos sociais, né?
Não é só por ser moral mas também, claro, por ser social, acaba sendo por ser
morais, mas social no geral exato é porque é isso, imagina, eu continuaria por exemplo,
lembrando de tudo tanto de quem eu sou, quanto do conhecimento que eu tenho
(24:30):
adquirido, mas eu não trato mais as pessoas da mesma forma certamente.
Mudou completamente quem eu sou, né? E outra coisa, se você tem dias que você
acorda meio estranho, você não é mais semelhante com seus pares,
ou com o pessoal na casa, ou no trabalho, dá uma sensação, tipo assim,
cara, tá algo errado aqui.
(24:50):
Eu não tô sendo quem eu sou. Já rola essa reflexão, né? Rola.
Você acorda feliz, né? Um dia você falou que você acorda bem feliz,
né? Eu sempre acordo feliz, no geral.
Acorda feliz. Aí, às vezes, eu acordo feliz, eu acordo triste, eu acordo triste.
Acontece alguma coisa e você fica triste e achar porque você vai
para um lugar público e eles estão esperando felicidade esse é
um problema então a gente é quem a
(25:12):
gente é também nessa rede também na rede e aí vem uma coisa bem interessante
que tem alguns estudos da própria Nina também bem interessante em que aí ela
resolveu testar essa questão comunitária sobre a visão que as pessoas tem da moral e da perda,
e aí o julgamento agora era sobre sobre o que é preferível que não se perca,
(25:36):
se é a consciência moral, a memória autobiográfica e tal,
só que tinha uma diferença, era o quanto aquilo era valorizado para definir
quem o sujeito era, ou seja, a identidade dele.
Ou o quanto aquilo era importante para garantir a coesão da comunidade,
mais ou menos nessa linha do teu exemplo.
(25:57):
Se eu aqui, de repente, mudo o jeito com que eu julgo moralmente as coisas,
o jeito como eu interpreto os fenômenos eu posso continuar sendo o mesmo será
que isso não vai impactar toda uma comunidade que convive comigo os meus amigos,
a minha família os meus alunos e tal e aí o que ela achou?
Que os dois elementos pesam muito, tanto pra a moral pra definir quem a gente
(26:23):
é quanto a moral pra definir quem a gente é
em relação a como a comunidade te define.
Ou seja, a moral é o topo. Por isso que, quando a gente vai pegar fofoca,
que é um dos tópicos que a gente vai ter um podcast, gente, de fofoca, em breve.
Eu gosto, tem fácil lá. A gente vai chamar, é o Leão Lobo, não é?
Tem assim, fofoqueiros de plantão. A gente vai chamar o Leão Lobo.
(26:44):
Tem vários amigos bons também, né? Tem, tem muito fofoqueiro.
Mas fofoca, a gente vai ter um episódio específico, porque fofoca é um elemento
crucial da cola social, né?
De amar. E quando a gente vai olhar as fofocas, muitas vezes,
o conteúdo que tem na fofoca é conteúdo de tópicos morais.
(27:05):
É o fulano que traiu ciclano, é o fulano que desviou dinheiro,
é a outra que falou mal do fulano e não sei o quê.
Normalmente são conteúdos moralizantes. Ah, você viu o que ela fez?
Ela pôs um piercing, isso é errado, e blá, blá, blá.
Ela traiu o marido, ou ele fez não sei o que então e aí basicamente aqui,
(27:27):
quando a gente começa a pegar isso, é porque muito do que define quem a gente
é é como a gente julga certo e errado,
certamente, certamente, agora só pra entender um pouco eu acho legal essa linha
de pesquisa e fico pensando tá, mas quero enxergar onde com isso,
porque beleza, a parte moral é extremamente importante,
as memórias não são tão importantes mas também são parte relevante,
(27:49):
então assim se pensar o ser humano é um conjunto completo.
E essas pesquisas vão levar a gente onde? Eu tenho uma visão disso,
bem interessante, que eu vou colocar vou perguntar pra você depois,
mas me fala um pouco como é que seria, na sua percepção onde é que esses caras, a Nina,
Schroeminger, onde é que ela quer chegar com essa brincadeira?
Onde ela quer chegar com essa brincadeira?
(28:10):
Eu não sei onde ela quer chegar com essa brincadeira a gente que faz uns estudos
nessa linha primeira coisa, a memória autobiográfica ela é importante,
não é que quando as pessoas respondem,
memória autobiográfica ninguém acha que é importante em alguns estudos inclusive
memória autobiográfica às vezes até tem um peso tão importante quanto consciência
moral dependendo inclusive do como a gente pergunta,
(28:31):
isso pode ficar até mais saliente dependendo do como a gente faz a pergunta mas enfim,
consciência moral ela aparece como um fator bem fundamental uma das coisas importantes
quando a gente está discutindo esses tópicos é que à medida que a gente vai
entendendo que essas questões caracterizam quem a gente é e aí a gente começa
a ver a gente vivendo num mundo polarizado,
(28:52):
e aí a gente vai olhar qual é a base da polarização se a gente vê que boa parte
da identidade é construída por questões morais boa parte do como eu formo grupos
é definido pela minha identidade ou seja,
boa parte dos meus grupos são grupos morais e aí quando a gente olha esses movimentos
de polarização atuais, por exemplo por exemplo, muitos dos grupos não estão
(29:14):
unidos por características positivas, eles estão unidos.
Questões morais que eles consideram que eles estão certos e o resto da humanidade
tá errado porque essa conta não fecha,
não dá pra todo mundo tá certo ou todo mundo tá errado e aí a gente fica nesses
(29:35):
modelos em que tem grupos hoje que brigam por questões morais e isso tá indo pra política,
isso tá indo pras relações familiares então meio que essa ideia de você tá certo
ou eu tô certo uma coisa assim, eu tô certo ou você tá certo num tópico.
Mais prático no que entra na questão moral isso ganha uma nuance diferente,
(29:58):
e as pessoas estão se envolvendo nesse tipo de coisa, então esse tipo de estudo
ele ajuda a gente a entender um pouquinho o peso que moral tem na definição de quem eu sou
e no que eu defino quem eu sou eu defino que grupo com quem eu ando e no que
eu defino com quem eu ando eu defino também com quem eu não ando o problema
é que está todo mundo andando no mesmo planeta,
(30:19):
e a gente cria um problemão como que a gente resolve conflitos quer ver um tópico
bem atual mudança climática,
muitas das interpretações de mudanças climáticas elas não são baseadas em fatos
elas estão baseadas no julgamento que as pessoas têm que ser até errado,
tem o que é moral nessa supermorte, tem o que é forte moral o planeta é o mesmo,
(30:40):
tanto para aquele que acha que tem mudança, tanto para aquele que acha que não
tem mudança então entender esses fenômenos aqui é importantíssimo para a gente
tentar tentar aumentar a possibilidade de diálogo entre quem tem visões morais diferentes,
porque não que um vai mudar o outro, mas.
Começar a ter pelo menos a possibilidade de escutar qual é a opinião que o outro
(31:01):
tem, o que dá pra fazer e convergir, né?
Eu tinha pensado numa questão interessante foi uma série de reflexões,
a partir do navio de Teseu que é isso, as questões,
hoje em dia é uma liberdade de experiências de mudanças até físicas,
corporais de que maneira as pessoas mudam ou não com isso, se existe um excesso
(31:22):
ou não então desde utilizar sei lá,
até questões de troca de sexo que são mudanças corporais, depois um futuro com.
Implantes biomecânicos, isso vai acontecer, né?
Já está acontecendo, e entender exatamente quanto se mantém na essência,
se a gente é o mesmo ainda ou não, como isso muda a sua identidade ou reflexão.
E outra bem interessante que eu pensei, é a discussão que tem,
(31:45):
que não é a troca de corpos, mas é a história do upload de consciência, né?
A ideia de que conseguiramos um dia, conseguiremos fazer um upload de nossa
consciência é ser uma máquina.
A gente vai se encontrar, então, na nuvem. E a pergunta é, aquela pessoa na nuvem ainda é você?
Mesmo que tenha todas as memórias, tenha seus padrões de comportamento,
(32:05):
mas não tem o seu corpo. É você ou não é?
Tendo, inclusive, a consciência moral. Tendo, inclusive, a consciência moral,
mas não tem o corpo. Não tem o corpo. E aí começa a discussão,
na verdade, essa questão da identidade.
Tu trouxe essa reflexão do trocado de mentes.
E é legal essa discussão muito na literatura, todo o pessoal usa muito esse
modelo de troca de mente, pra refletir um pouco como a gente se forma como pessoa
(32:28):
né, que é isso, pelo menos os filmes que eu vi
sempre é uma questão de tipo a mudança do ponto de vista, né,
as pessoas é como se muda de corpo, ela muda um pouco quem ela é também,
né e aí eu lembrei dessas discussões sobre o upload de consciência é que é bem interessante,
é, eu não sei, Gabriel, eu olhando por exemplo, pensando na possibilidade de
um upload de consciência e tal, tamo lá na nuvem tamo na nuvem se conseguir resolver porque,
(32:54):
além de consciência e de questões de memória autobiográfica uma coisa que o
corpo informa pra gente são várias informações,
fisiológicas que ajudam inclusive a gente interpretar emoções e tal,
tal, tal se a gente perde o corpo e perde algumas, né, algumas,
aferências talvez a gente perca alguns inputs importantes que fazem com que
(33:18):
a gente integre na consciência informações mais.
Fisiológicas e viscerais que informam.
Então, se resolvesse isso, ou seja, se desse pra levar pra nuvem,
inclusive... O corpo, as cachorras químicas, o que é que se fez?
Acho que tanto faz estar nesse corpo ou... Ou numa nuvem.
(33:41):
Era problema. O problema seria se só levasse o elemento mais cognitivo da história.
Levar minhas memórias. Como se fosse... Fez um download, fez um upload,
levou a memória e como eu julgo certo e errado, né?
Eu vi outra reflexão aqui que não tem nada a ver, mas eu posso fazer também?
Faz, fica à vontade. Desculpa, então. Mas se você, digamos que você vai se teletransportar.
(34:04):
Teletransporte. Tá bom.
Você se teletransportaria para algum lugar? Se existisse isso?
Tem opções? Não, eu digo assim, mas criado o teletransporte.
Você pode ir para o Havaí agora, passar, tomar um açaí e voltar.
Ah, eu faria fácil. Faria fácil? Fácil. E se eu te dissesse que nesse processo
o seu corpo seria desintegrado aqui e seria feito um novo corpo lá,
com outros átomos, outras células.
(34:26):
Mas levaria a minha consciência moral?
Levaria a sua consciência moral, suas memórias, tudo. Mas seria outro...
Eu cairia num corpo de um havaiano.
Não, você seria o seu corpo aí, né? Mas, sinceramente, seria assim,
sua experiência aqui, haveria, talvez, você morreria aqui e renasceria ali.
Então, assim, a contabilidade não é constante. Seu corpo, sua célula,
(34:46):
você se desintegraria aqui e seria refeito um corpo lá, com um material,
com uma átomo lá, que formaria a sua figura, seu rosto, essa memória, você faria isso?
Eu faria. É sério? Você não faria?
Não, me deu um certo receio de me transportar, que eu teria desintegrado.
Vai ter continuidade de consciência? Não sei, você estava garantindo que eu teria.
(35:08):
Não, você teria continuidade de corpo, de memórias, de consciência moral.
Não, se eu não tiver garantia de continuidade de consciência,
de consciência moral, aí eu ficaria na dúvida. De consciência total.
Então eu emprego a melhor.
É uma reflexão interessante também. Estou chegando ali.
Não tem a ver, tem a ver tem tudo a ver Gabriel, vamos radicalizar um pouquinho
(35:31):
mais eu só pra ouvir, tem o show do filme aí no meio, tem?
Eu vou trazer um exemplo de um estudo,
que tem uma relação com o filme, que é bem interessante é um estudo de um colega
nosso Jim Everett, que é um professor na Universidade de Kent,
que segue também essa ideia da discussão do que é o self o que é a identidade,
são as questões mais físicas é a questão mais da moral,
(35:55):
enfim enfim, e ele criou um experimento bem interessante, e aí eu peguei a descrição
do que o participante ia ouvir, porque quem tá ouvindo às vezes fica até curioso,
né? Como que são esses experimentos?
Então você que tá escutando, eu vou ler o que o participante tinha que ler,
e aí você vai pensando, aí você vê o que você responderia. Então olha só.
(36:16):
Existe um cientista doido que sequestrou o número de pessoas,
incluindo, aí você pensa no seu parceiro mais próximo ou da pessoa que você
mais se preocupa, cuida.
Então pode ser a sua esposa, pode ser o seu marido, pode ser a sua tia, o seu filho, enfim.
Então, cientista doido sequestrou o número de pessoas, incluindo o seu parceiro.
(36:39):
O cientista planeja fazer um novo
teste Que não foi aprovado Que é um procedimento que permitiria Um
transplante integral do cérebro Total do
cérebro Mais ou menos como no Pobres Criaturas Pegou
o cérebro de um e pôs no outro O cientista sabe Que esse trabalho vai revolucionar
a medicina Mas como o procedimento tem risco Ele acha que vai ter um probleminha
(37:02):
De encontrar participantes Por isso que ele sequestra as pessoas Então ele sequestra
sequestra o seu parceiro. Muito bem.
O cientista realiza a operação e coloca então o cérebro do seu parceiro num
outro corpo, num corpo de outro que ele sequestrou e coloca o desse outro,
(37:22):
o cérebro desse outro, no corpo do seu parceiro.
A operação aparentemente foi bem impedida. Todas as conexões neurais foram feitas
e depois de testes de respostas fisiológicas,
o cientista determinou que que os pacientes estavam vivos e funcionando. Tá.
(37:43):
Beleza. Aí o que acontece? Nesse momento, o estudo, dependendo do grupo que
você cai, você vai receber uma das seguintes informações. Numa delas era assim.
Nessa condição, os pacientes tinham que responder o seguinte.
O paciente, com o cérebro do seu parceiro e o corpo do outro,
(38:04):
pense e age exatamente como seu
parceiro fazia antes da operação ele continua
pensando e agindo do mesmo jeito o outro grupo recebe a informação todos os
pacientes perderam completamente as suas memórias tanto o paciente que está
(38:24):
com o cérebro do seu parceiro,
eles perderam a memória memória é autobiográfica E aí tinha uma condição que
era da moral, que ele colocava.
Ambos pacientes perderam completamente sua consciência moral.
Nenhum paciente se preocupava mais com as surtoas que eles se preocupavam antigamente
(38:49):
e eles mostram nenhuma reação emocional quando o cientista, por exemplo,
sinaliza torturar ou machucar outras pessoas.
Os dois não parecem mais capazes de julgar o certo e errado ou,
por exemplo, serem tocados pelo sofrimento dos outros, tá?
Então você pode ter caído numa que nada mudou uma que perdeu completamente a
(39:13):
memória e outra que perdeu essa...
Aliás, a primeira nada mudou não importa a letra mudou o cérebro,
é, porque pra mim já tá só pra lembrar que 20 ou 20 pegou a lembra o cérebro
no corpo do outro mas o comportamento é igual beleza, depois da operação,
(39:35):
do teu parceiro e do estranho isso é quase um filme também é quase um filme,
o cientista as ações do cientista foram descobertas uma sorte muito grande aconteceu
e as pessoas que foram foram sequestradas, ainda não haviam sido operadas.
(39:58):
Só o seu parceiro. Quando ele foi capturado, o cientista foi assassinado.
E duas pacientes foram levadas para o hospital. Obviamente, quem?
Seu parceiro e o estranho, né?
Infelizmente, eles parecem que eles estavam bem, né? Mas os médicos descobriram
(40:19):
que eles tinham umas anormalidades.
Olhando nas coisas lá do cientista, que fez a cirurgia,
eles descobriram que o cientista tinha se antecipado que algo errado podia acontecer
com a cirurgia e preparou uma injeção que poderia curar, poderia salvar.
Só que tem um problema. Só dava pra salvar um dos dois. Sempre essa safadeza. Sempre essa sacanagem.
(40:47):
Como o cientista tinha morrido, os médicos não tinham como criar uma nova medicação.
Então agora, você tem um remédio que pode só salvar um e você tem duas de boas
quem você salva, é a pergunta essa é a pergunta isso aí é muito bom pra pessoa
pensar no casamento dela.
(41:08):
Porque ele é sobre o parceiro então olha lá,
Quem será que essas pessoas salvavam? Primeira coisa, tinha uma pergunta que
eles faziam era assim, qual dos dois pacientes é o seu parceiro? Tá.
Pelo que a gente já discutiu aqui... Geralmente é a mente. A maioria ia falar que é o...
(41:31):
A mente no corpo estranho. É, a mente no corpo estranho.
Beleza. A maioria não ia falar que é o cérebro do estranho no corpo do participante.
Alguns falavam que era nenhum dos dois. era mais fácil falar que era mais comum
as pessoas falarem não é nenhum dos dois do que falar que era o cérebro de outra
pessoa no corpo do o que é bem interessante bem interessante,
(41:56):
e aí a porcentagem de quem salva e aí a porcentagem de quem salva você complicou
muito aí, eu acho que as pessoas responderiam que salvaria a mente no corpo estranho, correto?
Correto, mantém então o padrão, né? Mantenha o padrão, ele prefere salvar.
Então, assim, a continuidade da mente, ela é mais importante do que a continuidade do corpo.
(42:20):
E dentro disso, a consciência moral, ela é mais importante do que a continuidade
das memórias. Das memórias.
Entendi. Que aí testou esses três grupos, né? Que o primeiro mudou nada,
testava esse cenário com os três grupos. Então, o que é mais errado sacrificar?
Controle o que perdeu a memória ou o que perdeu a moral? E aí,
(42:41):
por exemplo, era mais errado o controle, depois a memória, depois a moral.
O mais errado de todos era a moral.
O pior é sacrificar o quem perdeu.
Entendi, entendi. Ah, interessante isso, hein? Aí dá pra refletir...
Alguém perguntou assim, tá, vamos avaliar o seguinte, qual o corpo pra começar?
(43:02):
Então, isso, isso começa a ficar interessante, qual é o corpo,
né? Olha o quanto é barato ser. Sim, gente, que fica...
Depende da relação, né? Essa é a questão toda que vai mudar muito o casamento,
né? Porque pra alguns falam assim, cara, se mudar a mente, melhora.
Pra outros, o contrário, né? Se mudar o corpo, depende do upgrade aí,
pode ser que... Tem que ver qual a direção, né?
(43:23):
Se melhora, se piora, a qualidade geral. Agora eu quero saber sobre esse filme
Finalmente Porque a ideia do filme também é mais ou menos isso Só que ela tem
uns detalhezinhos Que deixam a coisa muito mais,
Chocante, polêmica E até Dilemas morais e coisas bem importantes Basicamente
do filme Quem assistiu deve lembrar Foi trocado então Uma mulher que estava
(43:49):
grávida Se suicidou Tu não deu aviso de spoiler agora,
Precisa né tu sempre dá um alarme de spoiler faz o alarme de spoiler é assim
que é o alarme de spoiler?
Eu acho que foi essa lá a gente tem muito recurso tecnológico aqui o alarme
de spoiler é verdade, gente, spoiler, quem não viu Pobres Criaturas e não quiser
um spoiler agora é a hora agora é a hora de desligar o podcast um abraço, galera, até mais,
(44:16):
alarme então,
do filme a ideia toda é essa, uma mulher ela estava grávida, se suicida,
aí o médico recolhe e faz um transplante do cérebro do bebezinho pra esse corpo
dessa mulher que tentou se matar e aí a gente vê a.
(44:39):
Criança, um bebê virando criança, virando adolescente, virando mulher,
no corpo de uma mulher adulta. Sim.
Só pra começar, cientificamente, não seria possível fazer um transplante de cérebro.
Não, não, gente, não se preocupem com isso. Só pra te constar que é praticamente
impossível dar a complexidade, fazer uma reconexão. Isso.
(45:02):
Todos esses exemplos que a gente deu até agora é fictício pra discutir o que
é identidade, quem somos, né? mas é impossível.
Esse filme teve uma discussão, o primeiro ponto é a crítica clara que a experiência
que o Yorcus faz é legal, que é botar o cérebro do bebê num corpo adulto,
é a reflexão sobre as regras sociais, né?
Tipo assim, a pessoa tem que reaprender as regras, só que ela teoricamente já
(45:26):
deveria saber por ser um adulto.
E é o choque dessa inocência, da inocência de não saber mesmo, da ignorância social,
e as situações divertidas que se criam a partir disso, inclusive em questões
sexuais, né, que ela traz é, e se for pegar, por exemplo, na primeira fase em
que ela é criança ainda, e você tem adultos,
(45:48):
aquilo ali é um caso de pedofilia pedofilia que é uma crítica que faz o filme,
eu acho que é exatamente o fato de os caras só gostam dela quando ela é infantilizada
na cabeça é, e a hora que ela.
Fica adulta do ponto de vista agora do desenvolvimento dela ela e começa a assumir
a rédea da vida dela de outro jeito.
(46:08):
E a galera se assusta. E se assusta, enfim.
Inclusive ameaça. O que é uma das partes que pra mim é bem chocante também do
filme, né, que é essa coisa dos adultos abusando dela nos vários sentidos,
né, sexual, mas também emocional, enfim,
né, enquanto ela é criança num corpo de adulto, né.
É interessante falar assim, que tu fala a questão da pedofilia,
(46:30):
então, claramente meio que errado, porque é abuso e você tem o cérebro infantilizado
no corpo adulto e aí a reflexão da pedofilia.
Mas aí é uma questão que cria até um, agora tu me trouxe essa ideia,
me trouxe até um outro. Pô, padre.
Que é assim, beleza, pedofilia tá errado, mas um abuso no corpo adulto também
parece que é mais impactante um pouco.
Não, na verdade, né? Então mostra também os abusos. Ah, sim.
(46:52):
Então, é interessante. Tem essa outra doença que é... É que é mais ou menos,
por exemplo, você pensar em abuso de pessoas, por exemplo, adultas que tenham
algum transtorno mental, por exemplo.
Perfeito, amei. Ou que estejam incapazes de reagir.
Tá inconsciente tem muitos casos disso,
né acho que é, não sei se é recente tem casos,
(47:15):
acho que foi recente de um enfermeiro que abusou de pacientes que estavam inconscientes
né, então você tem esses casos tem médico que abusa da paciente enquanto ela
tá sedada enfim, aí a gente não tá nem falando de uma,
criança no corpo, tá falando de um adulto com cérebro de adulto,
mas que naquele momento ele tá incapaz de reagir de responder,
(47:37):
né Então esse filme tem essa polêmica, né?
Porque tipo, ah, tá normalizando a filha. Na verdade não, tá criticando, eu acho.
É, a minha visão é de que tá criticando.
É, ele cria a tensão sensualidade, que não é sensual, porque na verdade ela
tá completamente infantilizada.
Infantilizada, exato. Mas eu acho que é essa grande crítica que choca,
né? E aí tem a passagem da infância e adolescência que ela começa a ter a curiosidade sexual.
(48:01):
Que é aí que causa confusão no pessoal.
A pessoa fala, mas tá muito sexual, uma criança não faria isso e tal.
E aí eu fico pensando assim, mas não dá pra saber a qualidade que ela tá naquele
momento Ela também já estava indo mais na adolescente Mas também tem a questão
do filme que ela não se desenvolve igual a criança É muito mais rápida, né?
Porque tem o corpo de um adulto também Não, porque também é uma ficção, né?
(48:22):
É uma ficção Não tinha como acontecer aquilo Então tem uma linha do tempo que
também não é exatamente uma coisa muito...
Mas acho que a ideia central é
um pouco essa uma pessoa que é dominada pelo pai primeiro
numa determinada idade entra aquele médico jovem que de uma certa forma está
(48:43):
ali também aí chega o advogado malandro então tem uma série de questões mas
que vão mostrando até um determinado momento um abuso em todos os níveis são
só as figuras masculinas bem típicas é o pai,
o cara do sexismo benevolente mas na verdade não é bonzinho ele quer proteger
a pessoa de tudo deixar ela trancada também e o outro também,
(49:06):
eu vou levar pra liberdade mas a liberdade falta era pra ter uma.
Escrava sexual enfim, era uma coisa bem complicado por isso que eu não sei o
filme pra mim foi bem impactante em alguns momentos eu confesso que eu não tava
achando muito agradável tava uma chocada não tava achando agradável de assistir.
(49:27):
Tem uns que eram desorados assim no nojo do cara, no cadáver ali tem as partes
eu acho que são essas partes, sei lá são pesadas, mas pra mim quando entra realmente nesse cruzamento,
onde você, que eu acho que é a boa crítica que o filme traz essa coisa do abuso
do abuso da criança e tal e aí isso traz muito pra nossa discussão aqui então,
(49:52):
no que eu pego e olho, ela tem um corpo de adulto mas quando tem aquela tem
o advogado que chega e tem relacionamento sexual com ela,
por exemplo não é o corpo que está em jogo é a capacidade dela de julgar se
quer de julgar se é certo ou errado e ela é uma criança ainda então é aí que
(50:13):
está errado é aí que eu acho que essa nossa discussão sobre identidade moral pesa mais.
Quem a gente é do ponto de vista da consciência moral e do nosso desenvolvimento
do que o corpo físico acho que esse é o grande ponto do filme,
o corpo físico ele já é adulto na largada mas ele pouco importa se eu tenho
(50:35):
uma criança que, por exemplo no começo ela não anda ela não fala,
ela não, né seja um corpo adulto, mas que está deslocado.
O Igor gostou de uma questão interessante quando era da clínica existiam casos
de crianças, teve até uma mãe que trouxe ser uma filha, que era a questão que
ela sem querer descobre o prazer da estimulação das regiões sexuais dela,
(50:55):
e é uma cena que tem no filme, né, que ela descobre, ela fala que legal, aí chega uma.
Criada lá do cara e o cara fala, né, não, mexe aqui,
mexe aqui, e ela fala com isso existe essa ideia que não se fala muito hoje
em dia, mas existe uma sexualidade mas é uma descoberta do corpo na infância
que é o começo do comportamento ainda social,
(51:17):
fala assim, não, olha, cuidado com isso isso, é o começo de umas regras sociais
também, esse ponto da sexualidade. Exato.
E é como se ela, no corpo adulto, ela pulasse isso. Exato, ela pula toda...
Cai direto na boca do lobo.
Exatamente, exatamente. O mundo de abusadores. E aí é o abuso.
Diretamente é o abuso. É o abuso, que é o que a gente vê das histórias de pedofilia,
né? Exatamente. Muitas vezes acontece dentro de casa, inclusive.
(51:37):
Geralmente, na verdade. É, a maioria é o padrasto, o pai, o tio,
um amigo, um vizinho, enfim.
E aí que é o que chega a revolução depois, que o cara, ela ela depois entende
uma forma de... Ela não se abala com isso, né?
Ela simplesmente, acho que pela frieza também da relação com o pai,
ela acaba descartando o cara também, né? Que é uma reviravolta.
(51:59):
Ela consegue vencer todos os abusos. De alguma forma, ela consegue superar a
parte do desenvolvimento dela. Sim, sim.
E dá uma guinada, né? E dá uma guinada. E a pergunta é, ela era o bebê ainda,
a algum ponto? Ela muda? Ela é a mulher ou ela é a nova pessoa?
Eu acho que ela vai... é uma pessoa em desenvolvimento e diferente que ela fala
(52:22):
que uma hora coloca que não é mais aquela mulher de antes então o nome dela é Bella e sobrenome?
Baxter Baxter eu acho que isso é interessante que traz essa linha de filmes
e livros tem até um brasileiro que seria uma comédia do cara que troca de mente
(52:43):
e sempre é a reflexão da identidade e de como isso é construído na relação com o meio,
eu acho que esse filme só traz um nível diferente que é sobre as questões da
sexualidade e da mulher é um tapa na cara da sociedade parabéns Iogos,
eu gostei é chocante, mas eu gostei é necessário inclusive.
(53:04):
Muito bom, Gabriel. Chegamos aí a mais um episódio concluído com sucesso. Muito bom.
Hoje, então, a gente fechou com essa discussão sobre identidade moral,
o que nos define em boa parte é a identidade moral, não que memória não seja
importante, ela também é uma parte importante,
mas quando a gente pega na conceituação que cada um tem, a maioria das pessoas
(53:27):
valoriza sua identidade moral e valoriza do outro, o que mostra o quanto isso
é importante para senso de coletividade, né?
É, coletividade.
E se estiver pensando em mudar, lembre-se sempre de manter pelo menos um padrão
com os amigos, né, Henrique? É.
Você pode até mudar suas memórias, pode até botar um silicone,
mas se você se mantém ainda, né?
(53:50):
Foi aquela conversa no começo. Por que isso? No final das contas,
é. Você é com os outros. É, é.
E só uma pergunta, Paulo Bosch, você me perguntou várias vezes ao longo do episódio,
mas o que você acha do navio do terceiro. O navio do terceiro? É o mesmo navio ainda?
Pra mim? Sim, pra você. Como? Não. Não é o mesmo navio? Pra mim,
não. Na primeira peça que mudou já não é o mesmo? Na primeira ainda não.
(54:13):
Qual peça que muda que não é mais ou menos? Então...
Deixa aí, deixa aí. Quando ele cruzar 90% de peça... Olha, no começo ele ainda,
pra mim vai sendo o mesmo.
Ah, trocou isso aqui, trocou o remo, trocou um pedaço da vela e tal, tal, tal.
Mas vai chegar uma hora que ele deixa, pra mim ele deixa de ser o mesmo,
(54:37):
de ser o objeto, e o do carneceiro passa a ser o do Teseu.
Isso como um objeto sem atribuir nenhum tipo de valor a ele.
Se a gente colocar que aquele objeto cruzou os mares sob o comando do Teseu,
resolvendo uma série de problemas...
Pode ser a jangada, pode ser a barca... Ele carrega isso.
Mas, ao mesmo tempo, o carneceiro pode falar. e esse barco, ele traz a história
(55:03):
do barco do Teseu, porque ele é o barco do Teseu que é outra coisa também, né? um objeto.
Ele carrega uma história do uso por isso que as pessoas colecionam coisas imagina
uma bola de beisebol que a pessoa pegou num jogo que aconteceu em tal ano é
(55:23):
uma bola de beisebol igual a qualquer outra,
mas porque ela vale fortunas porque tem um significado atrelado a ela perfeito,
só então pra terminar então não é mais o mesmo barco que aconteceu não é o mesmo
barco do começo da viagem não é mais o mesmo barco do começo da viagem tá,
mas ele é o mesmo barco da semana passada,
eu não sei como tava na semana passada,
(55:43):
valeu pessoal muito bom Gabriel, excelente valeu Paulo Gomes, valeu, até a próxima.
Music.